PIRATAS!!! - Cap. 44
A história de Sarresian "Reneger" Mèrton
3ª parte
Decidido a assumir uma nova vida
no submundo, de modo que caso seu
pai
tivesse algum tipo de arrependimento,
não o
encontrasse de forma alguma;
leva uma vida
de devassidão:
bebidas, mulheres e jogos de
azar,
faziam parte de seu cotidiano
sem
importar-se com nada nem com ninguém.
Muito menos com o dia de
amanhã.
Assim teve como destino a
criminalidade o antigo filho da nobreza.
Uma situação que perdurou por
anos.
Devido ao seu porte avantajado,
pois
mesmo quando ainda frequentava os
salões da realeza, não dispensava
uma vida de
atividades esportivas
(tais como equitação, esgrima,
luta
greco-romana, tabernas...), chegando
aos 2,02
m e 100 kg, foi aconselhado
a embarcar
naquela que viria
a ser a maior experiência da
sua vida:
a pirataria!
— Há um magnífico navio
inglês
atracado no porto e ouvi dizer que
necessitam de homens fortes, valentes
e dispostos a
bordo!
— E quem seria o capitão
de desta
nau de que me falas, ó
desconhecido?
— Narval. Seu nome é
Narval.
Ele comanda o navio Lei de
Elizabeth.
— Interessante, já ouvi
falar nele...
Nesse ponto a conversa é
interrompida
pelo estalajadeiro que chega
com
cara de poucos amigos.
PIRATAS!!! - Cap. 43
A
história de Sarresian "Reneger" Mèrton
2ª parte
O velho Duque sentiu naquele
momento
todo o poder da maldição de uma bruxa
que ele – em nome de Nosso Senhor Jesus
Cristo – exterminou, em uma caverna a
muito esquecida. A lembrança emergiu
do passado
distante, quando combatia
os pagãos na
longínqua Turquia.
Acreditando que a praga de fato
começara
a surtir efeito, sua mente
estilhaçou-se:
devaneios, loucura, melancolia, pesadelos,
visões aterradoras, vozes que só ele
podia ouvir...
Todos os seus sentimentos se
misturavam a
ponto de duvidar do amor do próprio
filho!
Algo que mesmo em meio às
inúmeras
diferenças entre eles, jamais ocorrera
antes.
Imerso em distúrbios interiores
conjecturava
insano:
— Estará este bastardo tramando
algo
contra mim? Terão aqueles malditos
cruzados
plantado no seio de minha
família a
semente da ruína?
Estaria minha mulher também
mancomunada com eles?
Ou pior, com a bruxa?
Realmente isso tudo era demais para o
velho Duque, um golpe
dificílimo de
assimilar!O jovem Sarresian, percebendo
que o seu castelo de cartas desmoronara
e
não vendo outro caminho, abandona
o nome
Mèrton que para ele sempre
fora
amaldiçoado.
Seguiu, então, seu destino
deixando
para trás o amor que sentira
por sua
finada genitora e o desprezo de
seu
pai, sentimento este gerado por
anos
de divergências e
ressentimentos
que culminados com tal
atitude
tornou a convivência de ambos,
inviável.
E o sentimento recíproco.
O ex-barão cai na vida e
conhece
o mundo: sua querida França,
os Países
Baixos, Germânia,
Helvécia, Bélgica,
Itália,
Espanha e finalmente a
Bretanha.
PIRATAS!!! - Cap. 42
A história de Sarresian
"Reneger" Mèrton
1ª parte
Nascido em 1534, Sarresian teve
uma infância que
poderia ser de sonhos para
muitos em sua época,
porém para ele sempre fora um
pesadelo.
Acreditando que não pertencia a
aquilo ali,
cria que aquele mundo não era o
seu,
que vivia ali por mero acaso do
destino.
E ele esteva certo.
Sempre...
Paris, 1550
Aos 16 anos de idade,
Sarresian, já tinha experiência
de sobra para saber que sua
vida de facilidades era
tão somente obra do destino.
Nesta época encontrara
o diário de sua saudosa mãe e
nele descobrira que não
era filho legitimo de seu pai,
o Duque de Mèrton, e sim
de algum cavaleiro que invadiu
o castelo da família
na época das cruzadas, tomando
sua indefesa mãe e
gerando nela um filho bastardo
que jamais veio a
conhecer, que dirá assumir.
Dizia o diário:
“Tal ocorrência jamais poderá vir a ser do conhecimento
de meu amado esposo, sob a pena
de caírem sobre
mim e meu inocente infante todo
o peso do
preconceito da sociedade, a ira
de meu marido
e talvez até mesmo a severidade
da
Lei dos homens e da Santa Madre
Igreja.”
Ela nunca esteve longe da
verdade em suas reflexões:
aquele fato daria inicio a
destruição dos Mèrton.
Sarresian muito refletiu acerca
do assunto e decidiu
partilhar aquela dor com seu
pai, na esperança
de que isso os reaproximasse e
fazendo velhas
desavenças serem esquecidas
como
uma tempestade que vem e passa
com o tempo.
Todavia, nada disso foi o que
aconteceu.
O Duque ao saber ficou
extremamente desolado,
sequer tinha voz para exclamar
o sentimento de
traição que o tomara! O fato em
si não era o
problema, mas sua mulher haver
ocultado tal
durante dezesseis longos anos
nublaram a razão
do Duque levando até mesmo a
duvidar de
todas as juras, palavras,
sentimentos e
até mesmo do filho, a quem
dirigiu uma
única palavra, que o marcaria
para sempre:
— Bastardo!
- foi o que bastou.
PIRATAS!!! - Cap. 41
— E os
demais capitães dos outros
navios que o acompanham?
—
Vigiam, seria uma palavra melhor.
O rei da Espanha sabe que a carga
em si representa uma grande tentação,
ainda mais para um pirata como Sangre.
Pode ter certeza que os cinco galeões
escoltam o Demônio Maia com seus
canhões voltados para ele...
— Uma
situação deveras desconfortável
a Sangre, por certo... – completa Narval. –
Mas como ele espera mudar a rota
sem
que os demais capitães se voltem contra ele?
— Para
um capitão pirata, tu és um tanto
ingênuo, querido. Suborno; é claro. Irá
propor uma parte do saque a eles, mas
deixando claro que só ele irá se
“arriscar”.
Vai embolsar tudo o que quiser e deixará
os demais “a ver navios”.
Narval
reflete alguns instantes e concorda.
— Tens
toda a razão, Mor..., digo Cathe.
Esse é exatamente o tipo de coisa que
aquele
tubarão faria! Qual a sua ideia?
Morgan
respira aliviada e mostra-lhe
no mapa a melhor rota a seguir.
Aproveitando as
correntes marinhas
e os ventos poderiam chegar à ilha
antes de Sangre e preparar-lhe
uma calorosa recepção!
Entretanto,
fatos desconhecidos a ambos
desenrolam-se muito longe dali.
Fatos estes que
irão mudar totalmente
o resultado das maquinações de ambos,
pois,
diferentemente do pensa
a bela Morgan; Sangre é como a vida:
totalmente
imprevisível!
À
milhares de milhas náuticas, separados
por um largo lapso de tempo
navios espanhóis
e ingleses rumam
em inevitável rota de colisão...
E por
trás de tudo, nas sombras,
algo ou alguém a todos manipula...
PIRATAS!!! - Cap. 40
Cathéryn
termina de colocar sua bota (dispensara
os vestidos e voltara a sua velha
indumentária),
caminha até a mesa dos mapas, afasta alguns,
apanha um deles e o
mostra a Narval.
—
Estávamos nesta região, quando atacamos
um navio inglês e o pusemos a pique.
Tais
palavras calam fundo na alma de Narval,
ele sabe bem a quem ela se refere,
sem
que ela mesma saiba...
— No
dia seguinte o mapa com a localização
de minha ilha sumira. De alguma forma,
Sangre conseguiu infiltrar um espião em
nosso navio, provavelmente um traidor
a
bordo da nau britânica e que viu
a oportunidade, talvez durante a
abordagem
mesmo.
—
Descobriu quem foi?
— Não!
Açoitei pessoalmente cada um dos
sobreviventes que recolhemos a bordo e
nenhum
deles falou. Acredito que o
miserável deva ter se escondido como
um rato e
abandonado o navio durante
a noite, pois mais tarde descobrimos
que um dos
escaleres desaparecera.
Narval
acha melhor não revelar quem
era o “miserável”, pois o mesmo não o
fizera
propositadamente e de qualquer
forma já pagara caro por seu erro.
—
Estávamos justamente voltando a
nossa ilha quando, bom o resto você sabe...
– a voz dela trai algum arrependimento.
—
Entendo. Então acredita que ele,
escoltado por cinco galeões, carregado
com
toneladas de metais preciosos,
joias e especiarias vai desviar de
sua rota por
alguns trocados?
Morgan
fica fula com o comentário,
morde o lábio inferior de raiva, mas
contém-se: é o
momento de ser
diplomática e não emocional.
Fazendo um enorme esforço
ela contra-argumenta:
— Não
importa o tamanho do carregamento,
Narval. Essa carga não pertence a ele.
Sangre apenas a está transportando e
com um pequeno desvio de rota poderá
embolsar
meus “trocados” como você diz.
— E os
demais capitães dos outros navios
que o acompanham?
Assinar:
Postagens (Atom)























