Google+ Dezembro 2008 | A Pirâmide de Kukúlkan

O último reduto onde os Asseclas do CONCLAVE encontram-se...

Imagens piratas... - 032






PIRATAS!!! - Cap. 32

Morgan assoma a porta da cabine e meio 
sonolenta indaga o que está havendo, 
ao que o Capitão resume 
afiado como um sabre:
— Muitos ratos a bordo. Alguns de 
vestido, outros com asas... Boa noite.
Morgan não entendeu e não gostou.

Aos primeiros raios de sol da manhã, 
acercam-se da ilha e vem uma sinistra 
figura toda de couro negro com um 
pássaro em seu ombro em pé ao lado 
das cinzas fumegantes de uma fogueira.
Um bote vai até a praia.
— Saudações, homem. Vimos seu sinal 
esta noite e nosso capitão nos incumbiu 
de vosso resgate.
— E quem é essa boa alma?
— Sir Fury Of SteppenWolf and Rose 
& Canterbury.
— Tudo isso? Mas como os bons marujos 
a bordo o chamam?
— Capitão Narval.
— Oh, o velho Narval! Vejo que estou em 
boas mãos.
— E qual a vossa graça, senhor?
— Johnny Wisblender, um fiel servo da 
Rainha Elizabeth. 
– fala inclinando-se e fazendo uma longa 
reverência com seu imenso chapéu negro.
— Bom Mr. Johnny Wisblender, hoje é o 
seu dia de sorte. Venha abordo. Há mais 
algum sobrevivente além do senhor?
O semblante de John Crow torna-se 
pesaroso, sua resposta é seca e amarga:
— Não. Apenas eu. Todos os demais 
pereceram. Que o Senhor os tenha 
em sua Infinita Misericórdia.
— Amém. – completam os marujos.
E repondo o chapéu John Crow indaga.
— E qual a vossa graça?
— Sarresian Mèrton. Mas meus companheiros 
de lida no mar me chamam de Reneger. 
– e estende a mãos em um gesto de confiança, 
ao que John Crow retribui-lhe.
— Não são os modos rudes de um marujo, 
não estou certo, Reneger? Vejo em vossas 
maneiras e palavras a nobreza de teu sangue.
Sarresian deixa transparecer algum desconforto 
com as palavras proferidas pelo desconhecido 
a sua frente e rapidamente desconversa:
— Isso é passado, que fique no passado.

Imagens piratas... - 031





PIRATAS!!! - Cap. 31

— Já tentamos senhor, mas ela é 
rápida demais para nossas garruchas! 
– fala Alexander mostrando-lhe a arma.
— Dê-me isso, homem!
Narval carrega a arma, faz mira por alguns longos 
segundos e atira. O tempo parece congelar; 
a ave não emite qualquer ruído, mas subitamente 
pára no ar e inicia uma trajetória descendente 
rumo ao convés. Ela cai aos pés de Narval, 
que mexe nela com o pé. 
Imóvel.
— Está morta. E você aí em cima, marujo?
— Ainda vivo meu capitão.
— Bom; muito bom! Desçam aquele infeliz 
e o entreguem ao Açougueiro para que 
cuide dele. Quanto a esta coisa – dizia enquanto 
cutucava-a com o pé - quero-a ao Curry no almoço.
Como que entendendo o que ele dizia a ave 
levantou-se bateu asas e esvoaçou em torno 
de Narval. Encarando-o bem nos olhos, 
com suas pupilas feitas de brasas ardentes. 
Ela rumou em direção ao mar, os homens a 
seguem até a amurada e é quando vêm 
uma tênue chama bruxuleante no horizonte.
— Vejam aquilo! Será o demônio vindo 
buscar nossas almas malditas? 
– indaga apavorado um marinheiro.
— Não sua sardinha! Aquilo é uma fogueira! 
Pode ser um navio incendiado 
ou algo que o valha. 
Capitão, o senhor teria vossa luneta consigo?   
- indaga Sarresian.
Ao que Narval apenas estende a mão e 
Alexander alcança-lhe o óculo de ver a distância.
Narval acerta o foco e vê com clareza.
— É uma ilha e por certo algum pobre naufrago 
deve estar fazendo sinais para ser resgatado. 
Vamos até ele.
Narval recolhe a luneta, entrega-a a Alexander 
e retorna a sua cabine.
— Vamos lá seus macacos do mar, vamos pescar 
mais um infeliz para esta banheira! Andem logo 
suas lesmas do mar, não temos a noite toda! 
– berra o imediato colocando toda 
a tripulação em movimento.

Imagens piratas... - 030







PIRATAS!!! - Cap. 30

— Pobres infelizes... – murmura Alexander 
balançando desoladamente a cabeça.

— Fora o fato de que os cavalos dispararam 
apavorados e quando dei por mim estava do 
outro lado do porto!

Sarresian encerra o relato e sua pequena escultura 
em madeira: uma sereia de seios fartos. Ele joga 
para Alexander e diz:

— Guarde contigo. Com a prolongada falta 
de mulheres a bordo, logo, logo, poderá ser útil...

O imediato apara a pequena obra de arte e antes que 
possa retrucar Reneger dá-lhe as costas. Uma atividade 
lúdica envolvendo dados entre seus companheiros 
de bordo chamou-lhe a atenção... 
Alexander vira-se para o Pagão e esbraveja:

— E você, vá cuidar desse fuça nojenta, homem, 
antes que o capitão o veja neste estado deplorável!


Cerca de umas duas noites depois, já altas da 
madrugada, o homem da vigia começa a berrar:

— AAAAAAARRRRRRGHHHHH!!!!!! Socorro!!! 
Alguém me ajude!!!! Socorro!!! AAAAAHHHH!!!!

Desnecessário dizer que acordou o navio inteiro...

Tiros ecoam na noite, vozerio, corre-corre.

Alexander vai até a cabine do capitão.

— Senhor, é melhor vir logo!

— O que aconteceu, Alexander, parece que estão 
cortando a garganta de alguém!

— É melhor que veja com seus próprios olhos, senhor!

E assim dizendo, tomaram o rumo do convés.

E o que Narval assistiu encheu sua alma de espanto: uma ave negra com olhos de fogo esvoaçando o cesto da gávea, dando rasantes em pleno ataque!

— Quem está lá em cima?

— Jean Paul “Cozido”, meu capitão!

— Aquele que escapou dos canibais?

— Esse mesmo!

— Pobre homem! Alguém atire nessa coisa!


Imagens piratas... - 029






PIRATAS!!! - Cap. 29

— Os guardas tinham amigos esperando 
do lado de fora e quando eles foram ao 
encontro dos mesmos através das janelas 
e não pela porta, resolveram adentrar o 
estabelecimento de modo a tomarem 
ciência do que ocorria no local.
— E não ficaram nada felizes, acredito.
— É verdade. Vi-me obrigado a esgrimir 
com eles, fazendo uso do que tinha ao 
alcance das mãos, de facas a 
escarradeiras. Porém, quando 
percebi mais uma leva de fardadinhos 
avançarem porta adentra percebi que 
deveria empreender uma retirada 
estratégica! 
Subi as escadarias, entrei em meu quarto, 
bloqueei a porta derrubando um móvel, 
apanhei meus parcos pertences e 
pulei pela janela, dei a volta na estalagem 
e já estava na rua quando vi a razão 
daqueles guardas todos estarem ali,
transportavam em uma carroça: 
um canhão novinho em folha, 
lustroso como um dobrão espanhol, 
pedindo para ser utilizado. 
Foi aí que tive uma ideia transloucada!
— E desde quando você teve de outro tipo?  
- debocha o China!
Sarresian dardeja um olhar capaz 
de matar ao timoneiro.
— Como eu dizia: acerquei-me sorrateiro 
por trás da dupla que ainda montavam 
guarda à carroça. Distraídos como estavam 
acompanhando os ruidosos eventos na 
estalagem não perceberiam um polvo 
gigante se aproximar deles! 
Derrubei-os, puxei a parelha de cavalos 
em direção à porta; subi à carroça, 
carreguei o canhão, acendi-o e com 
um assovio chamei a atenção dos 
guardas que estavam na estalagem. 
No que assomaram à porta e 
viram o estopim queimando, correram 
como loucos para todos os lados, 
pulando através das janelas 
como cabritos perseguidos por lobos
Não era minha intenção explodi-los, 
apenas causar-lhes um susto, todavia, 
quando tentei apagar o pavio, 
este queimou mais rápido 
do que eu esperava...

Imagens piratas... - 028




PIRATAS!!! - Cap. 28

— Como dizia antes de ser tão rudemente 
interrompido, alimentava-me condignamente 
antes de ir à busca de um novo trabalho 
honesto e digno...
— Sei... – Alexander sorri.
— Quando o proprietário do estabelecimento 
veio inquirir-me acerca dos valores de 
hospedagem e alimentação. Expliquei-lhe que 
pretendia arrumar um trabalho e então pagá-lo 
com o suor de minha fronte. 
Por algum motivo que desconheço; 
talvez a baleia que era sua esposa 
não tenha sido receptiva as suas 
investidas noturnas... o fato é que ele 
carecia de compreensão e pareceu não 
aceitar muito bem minha explicação.
— Entendo, então, esse vil estalajadeiro, 
não engoliu sua historinha pra tubarão dormir...  
– completa o Pagão enquanto tenta conter 
o jorro de sangue nasal.
— Mais ou menos isso... Para terem uma vaga 
noção do estado perturbado em que se encontrava 
aquele homem, digo-lhes que ele saiu bufando 
porta a fora e (antes que eu sequer terminasse 
minha lauta refeição) voltou com dois guardas 
portuários! Acusou-me de desonestidade, de fraude!
E solicitou as autoridades minha imediata prisão! 
Imagine só, desonestidade! Logo eu!
— Que absurdo... 
– Alexander já quase as gargalhadas...
— Evidentemente que tentei dialogar e 
explicar minha situação, mas aparentemente 
eles eram surdos, razão pela qual tive de fazer 
uso de argumentos mais contundentes.
— Que seriam?
— A mesa, duas cadeiras e quatro garrafadas 
de vinho, o que não me causou qualquer 
constrangimento, haja vista a péssima 
qualidade da bebida local.
— Imagino. E o que se sucedeu após 
tão convincente “argumentação”?

Imagens piratas... - 027





PIRATAS!!! - Cap. 27

— Conheço tua fama, Sarresian “Reneger” Mèrton 
e é a principal razão pela qual estás a bordo 
do “Lei de Elizabeth”. Quando Narval mandou 
que recrutasse mais homens para esta missão, 
ouvi comentários acerca de tuas habilidades e 
métodos pouco usuais de combate...
— Esse povo fala demais...
— E como não falar de alguém que explodiu 
uma taverna com um tiro de canhão só 
porque não quis pagar a conta?
— Alto lá que a estória não é bem essa!
— Como não, Reneger? Eu estava lá, eu mesmo 
vi tudo com este olho que o mar há de comer, 
porque o outro é de vidro e... 
– interrompe o marujo Pagão.
— Cale-se, sua ostra de água doce! 
Não sabes de nada!
— Então nos conte o que de fato 
aconteceu, Sarresian! – intima-o Alexander.
Sarresian apoia-se em um barril e enquanto 
esculpe um pedaço de madeira com seu punhal, 
olha de soslaio para o mar e então 
para seus “ouvintes”.
— Está certo, imediato. Abra bem essas orelhas 
sebosas, então: dois dias antes de tu me apareceres 
me propondo recrutamento a esta banheira velha, 
estava eu desfrutando da hospitalidade 
da estalagem Âmbar-Gris...
— Aquela pocilga?  - inquire berrando China, 
lá do leme que até aquele momento estivera 
apenas ouvindo tudo de longe 
com seu ouvido de tuberculoso.
— Era o que o dinheiro honesto de 
um fiel servo da Rainha podia pagar! 
E não me interrompa, timoneiro! Como dizia, 
era o momento da primeira refeição do dia...
— Ao meio-dia? – provoca Pagão.
Sarresian nem responde, apenas corta 
uma lasca da madeira que 
voa direto no nariz do marujo!

Imagens piratas... - 026





PIRATAS!!! - Cap. 26

Narval caminha rumo ao tombadilho enquanto 
Alexander olha meio desconfiado para a porta 
da cabine, aproxima-se vagarosamente e posta 
ouvido na porta. Por alguns segundos apenas 
o silêncio marinho, então um barulho de impacto 
quase o ensurdece e antes que possa se afastar, 
o acúleo de uma lâmina emerge através da madeira 
da porta, cortando-lhe a ponta do nariz!
Alexander dá um pulo para trás levando as mãos ao 
rosto que verte sangue como um odre de vinho rasgado.
Outro marujo aproxima-se dele e entrega-lhe uma estopa.
—O que aconteceu, Misericordioso?
— Narval me botou pra proteger  Morgan!  
- relata enquanto tenta estancar o sangue.
— É? E quem ele designou para ti proteger dela?
— Hãããã... – balbucia o imediato enquanto 
tenta pensar uma resposta.

A brisa marinha traz aos homens a lembrança de dias 
mais amenos nos portos, quando o risco maior era de 
tomarem bofetadas de uma prostituta... 
Tempos bons!
— Nunca esquecerei aquela pele macia, aquelas 
coxas roliças, aqueles lábios carnudos de...
— do China? 
– atalha o imediato, interrompendo os devaneios 
lúbricos de Sarresian.
— do China... Que China o quê? Tá me 
estranhando Alexander?  
- responde bufando o grandalhão com mais de 
dois metros de altura e pesando uns 100 kg! 
Alexander nunca teve muito amor à vida mesmo...
— Eeeee, calma aí, que azedume, parece até 
que comeu alcatrão pensando que era feijão!
— É esse marasmo, bem sabes que só o 
fragor da batalha me mantém bem humorado.

Imagens piratas... - 025






PIRATAS!!! - Cap. 25

Ele arranca o punhal, ergue-se, 
acondiciona a arma branca no cinto, 
recua lentamente, vira-se e pouco antes 
de abrir a porta da cabine 
diz olhando por sobre o ombro:

— Bem-vinda a bordo do Lei de Elizabeth
Lady Cathéryn GreenStell de York. 
Espero que as acomodações a bordo 
estejam a vossa altura.
E assim dizendo sai fechando-a 
atrás de si.
Narval mal tem tempo de respirar fundo, 
pois às suas costas ecoa o estraçalhar 
de seu precioso Merlot de contra 
a madeira da porta.
— Bruxa maldita, era minha última garrafa!!!!  
- amaldiçoa o capitão, mordendo o lábio 
inferior de ódio...

— Alexander!!! Alexander!!! 
– berra a plenos pulmões o nome do 
imediato, que surge esbaforido com 
a espada em punho e olhando para 
os lados em busca de algum inimigo!

— O que houve meu capitão? Há 
algum pirata que haja escapado e 
o esteja ameaçando?
— Não homem, guarde essa espada e 
preste atenção!
— Dizei e o farei, ó meu capitão!
— Guarde esta cabine com sua vida! 
Se algo acontecer a Mor..., digo, 
Lady Cathéryn você será pessoalmente 
responsabilizado e posto a ferros 
até voltarmos a Inglaterra! 
Fui claro?
O imediato engole em seco e 
assente com a cabeça.
— QUALQUER COISA!!!! Entendeu 
bem? Responda homem!
— Sim, senhor. Entendi muito bem, 
claro como o horizonte!



Imagens piratas... - 024