Google+ deus | A Pirâmide de Kukúlkan

O último reduto onde os Asseclas do CONCLAVE encontram-se...

Mostrando postagens com marcador deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador deus. Mostrar todas as postagens

Sublimações


Quando o Homem sublima as coisas, nascem os deuses pagãos;
quando sublima o semelhante, nasce o mártir;
quando sublima a si próprio, nasce o tirano;
quando sublima a Razão, nasce a Ciência;
quando sublima a fé, nasce a Religião;
quando sublima a ignorância, nascem o medo e a superstição;
quando sublima o Desconhecido, nasce a Magia;
e quando transcende a tudo e a todas as sublimações, torna-se DEUS!

William Blake - poesia & pintura fantástica

William Blake (Londres, 28 de novembro de 1757 — Londres, 12 de agosto de 1827) foi um poeta, pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.
Poeta e artista plástico inglês. Combinou as linguagens literária e visual numa obra marcada por forte misticismo e erotismo.
Com raras exceções, a personalidade complexa de William Blake tornou impossível a compreensão de sua obra pelos contemporâneos. Foram os pré-rafaelitas, no final do século XIX, os primeiros cultores de sua obra. Desde então Blake passou a ser visto como um profeta, primeiro pelos simbolistas e depois pelos surrealistas, que nele admiraram a estranha ligação entre erotismo e misticismo.

Infância


Blake nasceu na “28ª Broad Street”, no Soho, Londres, numa família de classe média. Seu pai era um fabricante de roupas e sua mãe cuidava da educação de Blake e seus três irmãos. Logo cedo a bíblia teve uma profunda influência sobre Blake, tornando-se uma de suas maiores fontes de inspiração.
Desde muito jovem Blake dizia ter visões. A primeira delas ocorreu quando ele tinha cerca de nove anos, ao declarar ter visto anjos pendurando lantejoulas nos galhos de uma árvore. Mais tarde, num dia em que observava preparadores de feno trabalhando, Blake teve a visão de figuras angelicais caminhando entre eles.
Com pouco mais de dez anos de idade, Blake começou estudar desenho e a estampar cópias de desenhos de antigüidades Gregas comprados por seu pai, além de escrever e ilustrar suas próprias poesias.

Aprendizado com Basire


Em 4 de agosto de 1772, Blake tornou-se aprendiz do famoso estampador James Basire. Esse aprendizado, que estendeu-se até seus vinte e um anos, fez de Blake um profissional na arte. Segundo seus biógrafos, sua relação era harmoniosa e tranqüila.
Dentre os trabalhos realizados nesta época, destaca-se a estampagem de imagens de igrejas góticas Londrinas, particulamente da igreja Westimnster Abbey, onde o estilo próprio de Blake floresceu.

Aprendizado na The Royal Academy


Em 1779, Blake começou seus estudos na The Royal Academy Of Arts, uma respeitada instituição artística Londrina, onde aprendeu os estilos convencionais de gravura, de que tiraria grande partido.. Sua bolsa de estudos permitia que não pagasse pelas aulas, contudo, o material requerido nos seis anos de duração do curso deveria ser providenciado pelo aluno.
Este período foi marcado pelo desenvolvimento do caráter e das idéias artísticas de Blake, que iam de encontro às de seus professores e colegas.

O casamento


Em 1782, após um relacionamento infeliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.

Vida artística


Seus primeiros versos foram publicados em Poetical Sketches (1783; Esboços poéticos).
Entre 1783 e 1803 Blake viveu exclusivamente de seus talentos artísticos. Nos anos seguintes foi subvencionado por vários mecenas, produziu ilustrações para uma biografia de Cowper e criou alguns de seus poemas mais originais. Retornando a Londres em 1803, associou-se a outro artista num negócio de produção de gravuras. Lesado pelo sócio, atravessou um período difícil, mas em 1809 reagiu ao desânimo, realizando uma exposição de suas pinturas e desenhos. A escassa ressonância da exposição decepcionou-o.
O período de 1810-1817 é de relativa obscuridade na vida de Blake, que viveu da venda de cópias de seus livros ilustrados. Em 1825, gravou as ilustrações do Book of Job (Livro de Jó), sua obra artística mais célebre. Chegou a produzir ainda cem aquarelas para a Divina Comédia de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro Songs of Innocence and of Experience (“Canções da Inocência e da Experiência”), onde ele apontava a igreja da inglaterra e a alta sociedade como exploradores dos fracos.
Apesar de seu talento, o trabalho de gravador era muito concorrido em sua época, e os livros de Blake eram considerados estranhos pela maioria. Devido a isto, Blake nunca alcançou fama significativa, vivendo muito próximo à pobreza.

Breve avaliação de sua Obra


Não é possível dissociar a poesia de Blake de sua obra gráfica e plástica. Uma das singularidades pelas quais se distinguiu foi ter editado suas obras poéticas ilustradas por ele mesmo, pelo processo que denominou illuminated printing (gravura iluminada).
Como artista, Blake é considerado um maneirista, com um estilo de transição entre a dissolução das formas clássicas e o romantismo. Como poeta, é um dos maiores nomes do pré-romantismo inglês. Seus primeiros poemas de importância são os Songs of Innocence (1789; Cantos de inocência), cujos modelos básicos foram as baladas populares e as nursery rhymes (cantigas de ninar) anônimas. Em 1794, os Songs of Innocence foram editados juntamente com os Songs of Experience (1794; Cantos de experiência). Os dois livros, segundo Blake, exprimiriam “estados contrários da alma humana”. Entre as duas coletâneas de Cantos foram escritas obras em prosa e poemas narrativos. The Marriage of Heaven and Hell (1790; O casamento do céu e do inferno), sua mais importante obra em prosa, cujo título deriva dos escritos de Swedenborg, contém a “doutrina dos contrários” de Blake: o bem e o mal, a alma e o corpo. Segundo ele, “sem contrários não há progresso”. A obra culmina com um “Song of Liberty” (“Canto de liberdade”), hino de fé nas revoluções, celebradas em The French Revolution (1791; A revolução francesa) e America, a Prophecy (1793; América, uma profecia), poemas narrativos que exaltam a libertação trazida pela revolução francesa e a americana. Outra revolução, a sexual, é defendida em Visions of the Daughters of Albion (1793; Visões das filhas de Albion). Blake acreditava que os prazeres sexuais eram santos e que através deles se atingia uma nova pureza, a da inocência.
Os principais livros posteriores de Blake, como The First Book of Urizen (1794; O primeiro livro de Urizen), foram escritos em imitação do estilo bíblico, formando uma espécie de bíblia negra, que ele denominou “Bible of Hell” (Bíblia do inferno). São revelações estranhas, ao modo de Swedenborg, sobre o tema cósmico da criação, onde o Criador é identificado com um “poder obscuro”.
A fase final de Blake é a mais profundamente mística, com poemas épico-proféticos como The Four Zoas (1797; Os quatro Zoas), Milton (1808), The Everlasting Gospel (1818; O evangelho perene), e Jerusalém (1820), complicadas mitologias poéticas em que se anuncia a redenção da humanidade em uma “nova Jerusalém”. Nessa fase, dado como louco, Blake ainda escreveu poemas líricos e herméticos como “Auguries of Innocence” (“Augúrios de inocência”), cujos versos iniciais, que de algum modo resumem a simbologia de seu pensamento, se tornaram célebres: “To see a World in a Grain of Sand / and a Heaven in a Wild Flower” (“Ver um mundo num grão de areia / e o céu numa flor silvestre”).
William Blake morreu em Londres em 12 de agosto de 1827.
No dia de sua morte, Blake trabalhava exaustivamente em A Divina Comédia de Dante Alighieri, apesar da péssima condição física que culminaria no seu fim. Seu funeral, bastante humilde, foi pago pelo responsável pelas ilustrações do livro, e apesar de sua situação financeira constantemente precária, Blake morreu sem dívidas.
Hoje Blake é reconhecido como um santo pela Igreja Gnóstica Católica, e o prêmio Blake Prize for Religious Art (Prêmio Blake para Arte Sacra) é entregue anualmente na Austrália em sua homenagem.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
&
Wikipédia

Obras


Poetical Sketches ( 1783 ).
There is no Natural Religion (1788) . All Religions Are One (1788).
Songs of Innocence ( 1789 ).
The Book of Thel ( 1789 ).
The French Revolution: A Poem in Seven Books (1791).
A Song of Liberty (1792).
The Marriage of Heaven and Hell ( 1793 ).
Visions of the Daughters of Albion ( 1793 ).
America: A Prophecy ( 1793 ).
Songs of Experience (1794).
Songs of Innocence and Experience ( 1794 ).
Europe: A Prophecy ( 1794 ).
The First Book of Urizen ( 1794 ).
The Book of Ahania ( 1795 ).
The Song of Los ( 1794/5 ).
The Book of Los ( 1795 ).
The Four Zoas ( 1797 ).
Night Thoughts (1797) (ilustrações).
Milton: A Poem ( 1804-1808? ).
Grave (1808).
Everlasting Gospel (1818).
Jerusalem ( 1804-1820? ).
The Ghost of Abel (1822).
Dante's Divine Comedy (1825) (ilustrações).
The Book Of Jó of Bible (1826) (ilustrações).

A Importância de William Blake para o Mundo Moderno


William Blake viveu o final do décimo oitavo século e o início do décimo nono, era um poeta profundamente ativo, em grande parte, responsável por provocar o movimento Romântico em poesia; alcançando resultados notáveis com os meios mais simples; restabeleceu a musicalidade do idioma inglês.
A pesquisa de William Blake e a sua introspecção na mente humana e alma resultou em seu íntimo o que se chamou mais tarde de “O Colombo da psique”, porque nenhum poeta existiu para descrever o que ele descobriu nas viagens interiores. Blake criou sua própria mitologia para descrever o que ele achou em sua alma. Ele era poeta realizado, pintor, e gravador.
Além todas essas realizações, Blake era um crítico social do próprio tempo e se considerou um profeta de tempos por vir. Toda sua poesia foi escrita como se estivesse a ponto de ter o impacto social imediato de um tempo novo.
Blake viveu durante um tempo de intensa mudança social. A Revolução americana, a Revolução francesa, e a Revolução Industrial aconteceram durante sua vida. Estas mudanças deram para Blake uma chance para ver um das fases mais dramáticas na transformação do mundo Ocidental de uma sociedade um pouco feudal, agrícola para uma sociedade industrial onde os filósofos e os pensadores políticos como Locke, Franklin, e Paine proclamaram os direitos do indivíduo. Algumas destas mudanças tiveram a aprovação de Blake, outras não.
Um exemplo da desaprovação de Blake de mudanças que aconteceram no seu tempo entra no poema “London” da obra: Songs of Experience. Em “ London “, que foi descrito como resumindo muitas implicações de Songs of Experience, Blake descreve as aflições da Revolução Industrial.
Um exemplo:
O narrador em “London” descreve o rio e as ruas da cidade londrina como controlada por interesses comerciais; referindo-se “mind-forged manacles”; Blake relaciona que a face de todo homem contém “Marcas de fraqueza, marcas de aflição”; e ele discute o “every cry of every Man” e “every Infant's cry of fear.” Blake conecta matrimônio e morte recorrendo a um “carro funerário” e descreve isto como “destruído com pestilência”. Ele também fala sobre “o suspiro” do Soldado infeliz e a “maldição da Meretriz jovem” e descreve “enegrecendo Igrejas” e palácios que escorrem em sangue (“London”).
Em “London”, e muitos dos outros trabalhos, Blake que lida com um tema semelhante, particularmente esses das Songs of Experience, golpeiam um nervo particular para esses homens que estão vivendo em uma sociedade onde o custo de vida comparada com renda é continuamente crescente. Os poemas dessa fase ressonam para uma geração que tem que lidar com problemas de população exponencialmente crescente e com rapidamente demandas crescentes em nossas instalações de imigração e recursos. Eles golpeiam uma corda especial com uma nação que, devido aos problemas acima mencionado, a elevação de crime violento, e outras considerações, está se dessensibilizando rapidamente às “marcas de fraqueza, marcas de aflição” que nós estamos ficando acostumados a ver nas faces de todos transeuntes.
Blake aprovou algumas das medidas que os indivíduos e sociedades levaram ganhar e manter liberdade individual. Era liberal em políticas, sensível às medidas opressivas do governo e favoravelmente inspirado pela Guerra Revolucionária americana e a Revolução francesa. Blake escreveu muitas coisas positivas e apreciativas sobre o pensador político americano revolucionário Thomas Paine.
Blake também aderiu muitas outras noções com que nós estamos agora familiarizados. Por exemplo, em Jerusalem, Blake propõe a Fraternidade de Homem como a única solução para os problemas do mundo, individual e internacional. De acordo com Blake, nós somos todos os irmãos porque nós somos todos os filhos do Pai, e todos têm o Jesus (que simboliza freqüentemente Imaginação, Humanidade, e a fonte de tudo para Blake) em nós.
As visões de Blake em religião também são particularmente pertinentes para o mundo moderno. Blake substituiu o ateísmo árido ou deísmo tépido do enciclopedistas e seus discípulos com uma religião pessoal. Além de rejeitar “ateísmo árido” e “deísmo tépido”, Blake atacou também religião convencional.
Em The Marriage of Heaven and Hell escreveu sobre as religiões “são construídas Prisões com pedras de Lei, Bordéis com tijolos de Religião” e “Como a lagarta escolhe as folhas para botar os ovos, assim o padre põe a maldição dele nas alegrias”. Em lugar de aceitar uma religião tradicional de uma igreja organizada, Blake projetou sua própria mitologia (baseada principalmente na Bíblia e na mitologia grega).
A religião pessoal de Blake era sua procura do Everlasting Gospel que ele acreditava, como escreveu: “todos tiveram um idioma e uma religião originalmente”. A religião de Blake era baseada na alegria do homem que ele acreditava ser Deus glorificado. Um das objeções mais fortes de Blake para o Cristianismo ortodoxo é que a doutrina encoraja a supressão de desejos naturais e desencoraja alegria terrestre; em A Vision of the Last Judgement, diz Blake que “não são admitidos os Homens no Céu porque eles governam suas Paixões”.
A última linha do poema épico inacabado dele The Four Zoas é “as Religiões escuras são passadas e doce a Ciência reina”.
Há inúmeras semelhanças entre nosso tempo e o de Blake. Ele teve a Revolução Industrial; nós estamos vivendo na idade da Revolução de Informação.
Blake viveu num tempo quando capitalistas da classe alta gananciosos exploraram a classe de trabalhadores para lucro pessoal, a coisa em nosso tempo se dá não como um grupo de pessoas, mas uma nação explorando outra.
Blake viveu em uma idade onde Deísmo, uma fé que negou qualquer possibilidade de experiência direta com Deus, tinha capturado as mentes das pessoas mais inteligentes; nós vivemos em uma idade de dúvida, enquanto procurando, rejeição de religião dogmática tradicional, e ciência sem experiência, a mística avança muitas vezes sem ética alguma.
Certamente as visões e os poemas de William Blake, não pertencem há um tempo passado, mas mergulham no futuro, na mitologia pessoal de cada um de nós, em busca de uma resposta para o nosso existir: O que fazemos aqui, no terceiro planeta de um pequeno sistema solar, num canto de um galáxia quase imperceptível no universo? A resposta, como queria William Blake: pode estar dentro de nós mesmos.

Das Canções da experiência - William Blake


O PREÇO DA EXPERIÊNCIA

O PREÇO DA EXPERIÊNCIA

Qual é o preço da experiência? Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão.

É fácil triunfar sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça cheia de grão.
É fácil falar de prudência aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem teto,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir diante da ira da natureza
Ouvir o uivo do cão diante da porta no inverno, e o boi a mugir no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo;
Rejubilar-se diante da praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,

Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, bem como o escravo que gira o moinho,
E o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos rompidos deixam-no gemendo a espera da morte feliz.
É fácil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu não sou assim.

1797

Reflexões cósmicas...

Hoje um parente (primo) meu morreu.
Até aí nada de mais, morre gente todo o dia...
Durante o velório – ao qual tive de comparecer por força de “cerimonial social” – pude observar alguns detalhes que me chamaram a atenção: não foi o caixão, as flores ou todo o aparato usual às exéquias, não, nada disso! Tudo isso é muito comum e com certeza todos (ou quase todos) já tiveram a oportunidade de presenciar, senão in loco, ao menos televisivamente...
Não, o que me chamou a atenção, de fato, foram duas situações:
A primeira: o aspecto de susto/inconformidade/surpresa de todos os presentes, como se ninguém em toda a História houvesse falecido antes; como se fosse a primeira vez que qualquer um deles viu um defunto!
E não falo da tristeza, da dor e da perda; isso tudo é compreensível, afinal é uma ausência em caráter permanente; estou me referindo ao fato de cada um achar um absurdo que “fulano” morresse...
Aí entra minha primeira indagação: POR QUE?
Um colega de trabalho meu levantou uma hipótese que vem bem a calhar, porém, creio, não explica de todo a questão: “ninguém acredita que vai acontecer com os seus”.
É verdade: assalto, seqüestro relâmpago, roubo de carro, queda de avião, acidente de trânsito, bala perdida, dependência química, queda da escada, doença indiagnosticável/intratável/incurável, incêndio, inundação, terremoto, vulcanismo, tsunami, abdução (!?)... Tudo isso acontece na TV, no cinema, nos jornais, nas revistas (nos meios de comunicação de masssa, enfim), ou seja, com os OUTROS! Nunca com a gente!
Tipo:
— A gente não vai morrer (afinal, é só não pensar no assunto para que ele não venha acoantecer, não é mesmo?)!
— A gente não adoece (afinal, eu me cuido!)!
— Só é assaltado quem anda distraído pela rua comendo mosca (eu não, eu sou ligado!)...
— Essas tragédias não acontecem aqui (afinal, Deus é brasileiro!)...
— E bala perdida só pega maloqueiro que mora nessas favelas cheias de marginais e drogados (e eu sou gente de bem, não me meto nessas “boca-brabas”)!
— Só gente fraca da idéia se torna viciado (eu só fumo um baseadinho uma vez ou outra pra relaxar e lá de vez em quando dou um teco numa festa...)!
Resumindo: todo mundo é bom! O gozado é que todo mundo tb. morre...
Tem algo falho nesse raciocínio... Hummm, o que será?
Já sei! É porque NÃO HÁ RACIOCÍNIO!!!!
Ninguém pensa nada!
Ninguém raciocina p... nenhuma!
As pessoas são – em sua esmagadora maioria – TOTALMENTE INCONSCIENTES!!!!!
É cultural e não adianta querer mudar isso!
Então, quando ocorre algo que as tira desse alienante torpor elas reagem como alguém recém-desperto de um pesadelo: em pânico, não entendem o que está ocorrendo e sequer imaginam porque aquilo está acontecendo (com ela ou com seus entes queridos).
Indagam-se acerca dos “desígnios divinos”, fazem mil e uma elucubrações mentais, falsificações retrospectivas (modificação inconsciente de acontecimentos passados de modo que se tornem adequados anecessidades emocionais do momento), criam centenas de justificativas e explicações para tentar trazer de volta aquela “paz alienante” de antes, dizem umas às outras e a si mesmas que “tudo vai ficar bem”, muito embora saibam no fundo de suas almas que isso é uma MENTIRA!!!
Nada vai ficar bem NUNCA!
A vida dá e a vida tira! PONTO.
Sem explicações, sem motivos, subterfúgios, motivações “espirituais” ou “evolucionárias”.
As pessoas vivem em permanente estado de auto-ilusão, acreditando que “nada de mal vai me acontecer”, creêm em uma falsa sensação de segurança. E se há algo que realmente não existe é “segurança”, eis um dos muitos conceitos ilusórios sobre os quais é firmemente (!?) calcada a nossa sociedade. Tudo na mídia e no modus vivendi social a nossa volta afirma: “não se preocupe, você irá viver para sempre e será eternamente jovem!”...
Não há nada no MUNDO REAL que corrobore tal afirmação.
Não se iluda: todos nós iremos morrer.
É fato. PONTO.
Alguém tinha que falar isso, lamentavelmente calhou que fosse eu...
Fazer o que...
Levando em consideração que quem ler isso consiga refletir ainda que por um instante fugaz (escapando, mesmo que momentaneamente, de seu alienante torpor) levanto uma questão pertinente:
Se a vida é tão curta, imprevisível, inconstante, insegura e NADA é perene; tem sentido perder tempo com ilusões inúteis que nos impedem de aproveitá-la ao máximo? Se formos conscientes de que IREMOS MORRER MESMO NÃO IMPORTA O QUE FAÇAMOS, vale a pena inssistir em uma atitude burra e teimosa que não leva a nada?
De que servem crenças, ideologias, religiões, sistemas políticos, leis, regras e normas, se no final tudo será apenas “letra morta?”
Bem, antes que alguém me acuse de querer jogar o mundo na anarquia total e entregar a civilização humana ao caos, digo que apesar de saber que iremos todos morrer, sei também que NÃO MORREREMOS TODOS JUNTOS! Logo, para que todos tenham a chance de desfrutar a Vida em toda a sua plenitude, é essencial que a sociedade organizada exista, isso significa: leis, regras, normas, sistemas políticos, etc, etc, etc...
Ou como esperar viver uma vida confortável sem ter os meios de produzir o conforto? Como haveria produção de qualquer coisa que fosse não houvesse nosso mundinho estruturado-se da maneira como se estruturou?
Quer liberdade de comunicação? Use um celular! Acha caro? Não falar é mais barato...
Quer liberdade de ir e vir? Compre um carro! Acha caro? Vá a pé, sai mais em conta...
E a linha segue por aí... Todo conforto tem seu preço e não poder pagar por ele também...
Do mesmo modo não aceitar a efemeridade da vida é uma ilusão que tem um alto custo emocional, porém se aceitarmos sua brevidade como um fato, o preço a pagar será muito menor.
Aceitarmos que simplesmente quando se morre acaba tudo e ponto final.
Não importa se você estuprou 375 criancinhas de cinco anos, retalhou os corpos e enterrou no quintal da vovó ou se dedicou toda sua existência a tratar da saúde de povo etíope, morrendo na pobreza, porém amparando cada ser humano que pode até o último suspiro de sua vida!
Nada disso importa.
Quando morrer acabou.
Não há nada! Nem céu, Inferno, Samsara, Paraíso das Eternas Virgens, Purgatório, Limbo ou 666 níveis do Abismo!
Nada!
Morreu acabou.
É como... dormir. Só que sem sonhos ou pesadelos (isso temos bastante em vida).
Vida e Morte são AMORAIS.
A Vida e a Morte não são criaturas humanas.
Não são sequer entidades.
No máximo conceitos e ainda assim conceitos humanos, ou seja, inventados pela raça humana em sua eterna arrogância de crer-se o ápice da Evolução, “criados á imagem de Deus” (sempre imaginei que aparência teria Deus se fôssemos criaturas de duas cabeças...)...
Não importa o que qualquer um diga, pense, sinta, fale ou faça a esse respeito: NADA IRÁ NADA MUDAR NUNCA!!!
As coisas são como elas são e não como nós queiramos que elas sejam. PONTO.
Aliás, acredito que o principal problema é que a nossa espécie (por se achar o máximo...) crê que TUDO deve ter um sentido ou um grande significado cósmico final...
Só que não há!
A Vida simplesmente NÃO TEM SENTIDO! E PONTO FINAL!
E não adianta inssitir no contrário, a vida simplesmente é assim e nada e nm ninguém vai mudar isso.
Deve-s simplesmente aceitar.
Ninguém que morreu voltou para dizer como foi a experiência do outro lado! E não me venham com papos espíritas, reencarnatórios e evolucionistas que só engole esse tipo de argumentação quem QUER ACREDITAR NISSO.
Aliás, poucas palavras foram tão deturpadas ao longo civilização humana como “Evolução”. Seu verdadeiro significado é o de um processo que determina o surgimento de novos elementos mais complexos e diferenciados, como resultado de adaptações e modificações contínuas e progressivas de elementos anteriores, mais simples visando sobreviver em um determinado meio. Em nenhum momento isso leva a “bondade” ou “bem maior” (conceitos totalmente humanos), aliás, muito pelo contrário, a evolução leva a sobrevivência do mais forte e/ou apto e/ou inteligente. Na maioria das vezes isso não tem coisa alguma a ver com bons sentimentos... (outro conceito humano beeeeeem passional).
Então por que raios o ser humano insiste em acreditar em tanta balela?
Preguiça mental, doutrinação religios ou cultural, sociedade...
Resumindo: vence a maioria, se muitos crêem em algo, aquilo é dado como certo.
Já dizia o sábio Nélson Rodrigues:
“Toda a unanimidade é burra...”
É por essas e outras que prefiro ser uma ovelha negra em vez de mais um carneirinho branquinho nesse rebanho tosco!
Bom, como disse no início, duas coisas que me chamaram atenção no velório.
A segunda foi uma criança (uma menina de 3 ou 4 anos, ±, sei lá!) que sozinha sem instrução de adulto algum, aproximou-se do caixão, apoiou a mão na borda do mesmo e fitou o morto. Não havia medo, nojo, tristeza, raiva ou que quer que fosse nos olhos daquela infante. Talvez, no máximo, curiosidade. Ela ficou uns bons minutos contemplando o cadáver e depois simplesmente afastou-se como quem cansa de olhar uma vitrine.
Aquela criança teve uma reação PURA, INSTINTIVA E PRIMORDIAL perante um ser humano morto.
Lastimavelmente ninguém além de mim percebeu o fato, o que só fez aumentar meu desprezo por nossa espécie, obtusa e encimesmada.
Definitivamente, nós merecemos a Extinção!
Não apenas por tudo o que fizemos a este orbe, mas por nossas atitudes para com nós mesmos.
Por muito; menos os dinossauros SUMIRAM da superfície do planeta (e ainda assim viveram aqui 150x mais tempo do que nós já estamos)...
Em suma, feliz nessa estória toda foi o defunto, que não teve de contemplar o circo armado em seu derredor! Um circo onde o astro principal não podia sequer cumprimentar a platéia sob o risco de esvaziar todos os bancos sob a lona... Um circo repleto de palhaços amargos divertindo uns aos outros com suas piadas sem graça e caretas tristes. Um melancólico circo de dor e horror.
E para “mal dos pecados”, o presunto era colorado...
O corpo coberto com a bandeira do Internacional...
E naquela mesma noite, o time perdeu...
2 x 0
E quando eu digo que não há esperança...

Deus: Um delírio



Deus: Um delírio (trecho do livro)
Até quando nossa espécie será escrava de idéias emburrecedoras e limitantes como o conceito (totalmente humano) de "Deus”? Até onde vai a arrogância de nossa espécie que se crê o ápice da evolução, a ponto de projetar a auto-ilusão coletiva de uma divindade suprema que seria um reflexo dela mesma?
É absolutamente impressionante que até mesmo quando pessoas (realmente) esclarecidas tentam abrir os olhos de nossa raça cega e teimosa são combatidas com violência por defensores da Ignorância e do Fanatismo.
Num tempo de guerras e ataques terroristas com motivações religiosas, o movimento pró-ateísmo ganha força no mundo todo. E seu líder é o respeitado biólogo Richard Dawkins, eleito recentemente um dos três intelectuais mais importantes o mundo (junto com Umberto Eco e Noam Chomsky) pela revista inglesa Prospect. Autor de vários clássicos nas áreas de ciência e filosofia, ele sempre atestou a irracionalidade de acreditar em Deus, e os terríveis danos que a crença já causou à sociedade. Agora, neste "Deus, um Delírio", seu intelecto afiado se concentra exclusivamente no assunto e mostra como a religião alimenta a guerra, fomenta o fanatismo e doutrina as crianças.
O objetivo principal deste texto mordaz é provocar: provocar os religiosos convictos, mas principalmente provocar os que são religiosos “por inércia”, levando-os a pensar racionalmente e trocar sua “crença” pelo “orgulho ateu” e pela ciência.
Dawkins despreza a idéia de que a religião mereça respeito especial, mesmo se moderada, e compara a educação religiosa e crianças ao abuso infantil. Para ele, falar de “criança católica” ou “criança muçulmana” é como falar de “criança neoliberal”— não faz sentido.

O biólogo usa seu conceito de memes (idéias que agem como os genes) e o darwinismo para propor explicações à tendência da humanidade de acreditar num ser superior. E desmonta um a um, com base na teoria das probabilidades, os argumentos que defendem a existência de Deus (ou Alá, ou qualquer tipo de ente sobrenatural), dedicando especial atenção ao “design inteligente”, tentativa criacionista de harmonizar ciência e religião.


Leia Mais Sobre "Deus, um Delírio"
Prefácio
Quando era criança, minha mulher odiava a escola em que estudava e sonhava poder sair de lá. Tempos depois, quando tinha seus vinte e poucos anos, ela revelou sua infelicidade para os pais, e a mãe ficou horrorizada: "Mas, querida, por que você não nos contou?". A resposta de Lalla é minha leitura do dia: "Mas eu não sabia que podia".
Eu não sabia que podia.
Suspeito - quer dizer, tenho certeza - que há muita gente por aí que foi criada dentro de uma ou outra religião e ou está infeliz com ela, ou não acredita nela, ou está preocupada com tudo de mau que tem sido feito em seu nome; pessoas que sentem um vago desejo de abandonar a religião de seus pais e que gostariam de poder fazê-lo, mas simplesmente não percebem que deixar a religião é uma opção. Se você for uma delas, este livro é para você. Sua intenção é conscientizar - conscientizar para o fato de que ser ateu é uma aspiração realista, e uma aspiração corajosa e esplêndida. É possível ser um ateu feliz, equilibrado, ético e intelectualmente realizado. Essa é a primeira das minhas mensagens de conscientização. Também quero conscientizar de três outras formas, que explico a seguir.
Em janeiro de 2006, apresentei um documentário de duas partes na televisão britânica (Channel Four) chamado Root of all evil? [Raiz de todo o mal?]. Desde o começo não gostei do título. A religião não é a raiz de todo o mal, pois não há nada que possa ser a raiz de tudo, seja lá o que tudo for. Mas adorei o anúncio que o Channel Four publicou nos jornais nacionais. Era uma foto da silhueta dos prédios de Manhattan com a legenda: "Imagine um mundo sem religião". Qual era a ligação? A presença gritante das torres gêmeas do World Trade Center.
Imagine, junto com John Lennon, um mundo sem religião. Imagine o mundo sem ataques suicidas, sem o 11/9, sem o 7/7 londrino, sem as Cruzadas, sem caça às bruxas, sem a Conspiração da Pólvora, sem a partição da Índia, sem as guerras entre israelenses e palestinos, sem massacres sérvios/croatas/muçulmanos, sem a perseguição de judeus como "assassinos de Cristo", sem os "problemas" da Irlanda do Norte, sem "assassinatos em nome da honra", sem evangélicos televisivos de terno brilhante e cabelo bufante tirando dinheiro dos ingênuos ("Deus quer que você doe até doer."). Imagine o mundo sem o Talibã para explodir estátuas antigas, sem decapitações públicas de blasfemos, sem o açoite da pele feminina pelo crime de ter se mostrado em um centímetro. Aliás, meu colega Desmond Morris me informa que a magnífica canção de John Lennon às vezes é executada nos Estados Unidos com a frase "and no religion too" expurgada. Uma versão chegou à afronta de trocá-la por "and one religion too".
Talvez você ache que o agnosticismo é uma posição razoável, mas que o ateísmo é tão dogmático quanto a crença religiosa. Nesse caso, espero que o capítulo 2 o faça mudar de idéia, convencendo-o de que "A Hipótese de que Deus Existe" é uma hipótese científica sobre o universo, que deve ser analisada com o mesmo ceticismo que qualquer outra. Talvez tenham lhe ensinado que filósofos e teólogos já apresentaram bons motivos para acreditar em Deus. Se você pensa assim, pode ser que goste do capítulo 3, sobre os "Argumentos para a existência de Deus" - os argumentos se revelam de uma fragilidade espetacular. Talvez você ache que é óbvio que Deus tem de existir, porque, do contrário, como o mundo teria sido criado? Como poderia haver a vida, em sua diversidade tão rica, com todas as espécies parecendo ter sido misteriosamente "projetadas"? Se suas idéias tendem para esse lado, espero que obtenha esclarecimentos com o capítulo 4, sobre "Por que quase com certeza Deus não existe". Longe de indicar um projetista, a ilusão de que o mundo vivo foi projetado é explicada de modo bem mais econômico e com elegância devastadora pela seleção natural darwiniana. E, embora a seleção natural por si só se limite a explicar o mundo das coisas vivas, ela nos conscientiza para a probabilidade de que haja "guindastes" explicativos comparáveis que possam nos ajudar a entender o próprio cosmos. O poder de guindastes como a seleção natural é a segunda das minhas quatro conscientizações.
Talvez você ache que tem de existir um deus, ou deuses, porque antropólogos e historiadores registram que os crentes dominam todas as culturas da humanidade. Se para você esse argumento é convincente, por favor consulte o capítulo 5, sobre "As raízes da religião", que explica por que a fé é tão onipresente. Ou talvez você ache que a fé religiosa é necessária para que tenhamos valores morais justificáveis. Não precisamos de Deus para ser bons? Por favor leia os capítulos 6 e 7 para ver por que isso não é verdade. Você ainda tem um fraco pela religião e acha que ela é uma coisa boa para o mundo, mesmo que pessoalmente já tenha perdido a fé? O capítulo 8 o convidará a pensar sobre as formas pelas quais a religião não é algo tão bom assim para o mundo.
Se você se sente aprisionado na religião em que foi criado, valeria a pena se perguntar como isso aconteceu. A resposta normalmente é alguma forma de doutrinação infantil. Se você é religioso, a imensa probabilidade é de que tenha a mesma religião de seus pais. Caso tenha nascido no Arkansas e ache que o cristianismo é a verdade e o islã é a mentira, sabendo muito bem que acharia o contrário se tivesse nascido no Afeganistão, então você é vítima da doutrinação infantil. Mutatis mutandis se você nasceu no Afeganistão.
A questão da religião e da infância é o tema do capítulo 9, que também inclui minha terceira conscientização. Assim como as feministas se arrepiam quando ouvem um "ele" em vez de "ele ou ela", ou "o homem" em vez de "a humanidade", quero que todo mundo estremeça quando ouvir uma expressão como "criança católica" ou "criança muçulmana". Fale de uma "criança de pais católicos", se quiser; mas, se ouvir alguém falando de uma "criança católica", interrompa-o e educadamente lembre que as crianças são novas demais para ter uma posição nesse tipo de assunto, assim como são novas demais para ter uma posição sobre economia ou política. Exatamente porque meu objetivo é conscientizar, não peço desculpas por mencionar isso neste prefácio e também no capítulo 9. Nunca é demais repetir. Vou dizer de novo. Aquela não é uma criança muçulmana, mas uma criança de pais muçulmanos. Aquela criança é nova demais para saber se é muçulmana ou não. Não existe criança muçulmana. Não existe criança cristã.
Os capítulos 1 e 10 abrem e fecham o livro explicando, de formas diferentes, como uma compreensão adequada da magnificência do mundo real, mesmo sem jamais se transformar numa religião, é capaz de preencher o papel inspiracional historicamente - e inadequadamente - usurpado pela religião.
Minha quarta conscientização diz respeito ao orgulho ateu. Não há nada de que se desculpar por ser ateu. Pelo contrário, é uma coisa da qual se deve ter orgulho, encarando o horizonte de cabeça erguida, já que o ateísmo quase sempre indica uma independência de pensamento saudável e, mesmo, uma mente saudável. Existem muitos que sabem, no fundo do coração, que são ateus, mas não se atrevem a admitir isso para suas famílias e, em alguns casos, nem para si mesmos. Isso acontece, em parte, porque a própria palavra "ateu" freqüentemente é usada como um rótulo terrível e assustador. O capítulo 9 cita a tragicômica história de quando os pais da comediante Julia Sweeney descobriram, lendo o jornal, que ela tinha virado atéia. O fato de ela não acreditar em Deus eles até que agüentariam, mas atéia! “ATÉIA?” (A voz da mãe elevou-se num grito.)
Neste ponto, preciso dizer uma coisa em especial aos leitores americanos, pois a religiosidade hoje nos Estados Unidos é verdadeiramente impressionante. A advogada Wendy Kaminer exagerou só um pouquinho quando observou que brincar com religião é tão perigoso quanto queimar uma bandeira na sede da Legião Americana.1 O status dos ateus na América de hoje é equivalente ao dos homossexuais cinqüenta anos atrás. Agora, depois do movimento do Orgulho Gay, é possível, embora não muito fácil, para um homossexual ser eleito para um cargo público. Uma pesquisa da Gallup realizada em 1999 perguntou aos americanos se eles votariam em uma pessoa qualificada que fosse mulher (95% votariam), católica (94% votariam), judia (92%), negra (92%), mórmon (79%), homossexual (79%) ou atéia (49%). É evidente que há um longo caminho a percorrer. Mas os ateus são muito mais numerosos, especialmente entre a elite culta, do que muita gente imagina. Já era assim no século XIX, quando John Stuart Mill pôde dizer: "O mundo ficaria surpreso se soubesse como é grande a proporção dos seus ornamentos mais brilhantes, dos mais destacados até na apreciação popular por sua sabedoria e virtude, que são completamente céticos no que diz respeito à religião".
Isso pode ser ainda mais verdadeiro hoje em dia, e apresento evidências para tal no capítulo 3. O motivo de muitas pessoas não notarem os ateus é que muitos de nós relutam em "sair do armário". Meu sonho é que este livro ajude as pessoas a fazê-lo. Exatamente como no caso do movimento gay, quanto mais gente sair do armário, mais fácil será para os outros fazer a mesma coisa. Pode ser que haja uma massa crítica para o início da reação em cadeia.
Pesquisas americanas sugerem que o número de ateus e agnósticos supera de longe o de judeus religiosos, e até o da maioria dos outros grupos religiosos específicos. Diferentemente dos judeus, porém, que notoriamente são um dos lobbies políticos mais eficazes dos Estados Unidos, e diferentemente dos evangélicos, que exercem um poder político maior ainda, os ateus e agnósticos não são organizados e portanto praticamente não têm nenhuma influência. Na verdade, organizar ateus já foi comparado a arrebanhar gatos, porque eles tendem a pensar de forma independente e a não se adaptar à autoridade. Mas um bom primeiro passo seria construir uma massa crítica daqueles dispostos a "sair do armário", incentivando assim os outros a fazer o mesmo. Embora não formem um rebanho, gatos em número suficiente podem fazer bastante barulho e não ser ignorados.
A palavra "delírio" do meu título inquietou alguns psiquiatras, que a consideram um termo técnico que não deve ser usado à toa. Três deles me escreveram para propor um termo técnico especial para a alucinação religiosa: "relírio". Talvez pegue. Mas por enquanto vou ficar com "delírio", e preciso justificar seu uso. O Penguin English dictionary define "delusion" [delírio] como "crença ou impressão falsa". O surpreendente é que a citação ilustrativa dada pelo dicionário é de Phillip E. Johnson: "O darwinismo é a história da libertação da humanidade do delírio de que seu destino é controlado por um poder maior que ela mesma". Será possível que esse seja o mesmo Phillip E. Johnson que lidera a ofensiva criacionista contra o darwinismo nos Estados Unidos atuais? É ele mesmo, e a citação, como seria de imaginar, foi tirada do contexto. Espero que o fato de eu ter afirmado isso seja notado, já que a mesma cortesia não me foi estendida em várias citações criacionistas de minhas obras, tiradas do contexto de forma deliberada e enganadora. Qualquer que seja o significado pretendido por Johnson, eu teria o maior prazer em endossar a frase da forma como ela está lá. O dicionário que vem com o Microsoft Word define delírio como "uma falsa crença persistente que se sustenta mesmo diante de fortes evidências que a contradigam, especialmente como sintoma de um transtorno psiquiátrico". A primeira parte captura perfeitamente a fé religiosa. Quanto a ser ou não um sintoma de transtorno psiquiátrico, tendo a concordar com Robert M. Pirsig, autor de Zen e a arte da manutenção de motocicletas: "Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama Religião".
Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem. Quanto otimismo e quanta presunção! É claro que fiéis radicais são imunes a qualquer argumentação, com a resistência erguida por anos de doutrinação infantil executada com técnicas que levaram séculos para amadurecer (ou pela evolução ou por ardil). Entre os dispositivos imunológicos mais eficazes está a temerosa advertência contra o simples ato de abrir um livro como este, que certamente é obra de Satã. Mas acredito que há muita gente de mente aberta por aí: pessoas cuja doutrinação infantil não foi tão insidiosa, ou que por outros motivos não "pegou", ou cuja inteligência natural seja forte o bastante para superá-la. Espíritos livres como esses devem precisar só de um pequeno incentivo para se libertar de vez do vício da religião. No mínimo, espero que ninguém que tenha lido este livro ainda possa dizer: "Eu não sabia que podia".
Pela ajuda na elaboração deste livro, sou grato a muitos amigos e colegas. Não tenho como citar todos, mas entre eles estão meu agente literário John Brockman e meus editores, Sally Gaminara (para a Transworld) e Eamon Dolan (para a Houghton Mifflin), que leram o livro com sensibilidade e compreensão e me deram uma mistura muito útil de críticas e conselhos. Sua fé entusiasmada e sincera no livro foi um grande incentivo para mim. Gillian Somerscales foi uma preparadora exemplar, tão construtiva em suas sugestões como meticulosa em suas correções. Outros que criticaram os vários esboços, e aos quais sou muito grato, são Jerry Coyne, J. Anderson Thomson, R. Elisabeth Cornwell, Ursula Goodenough, Latha Menon e especialmente Karen Owens, crítica extraordinaire, cuja familiaridade com a costura e a descostura de cada rascunho do livro foi quase tão detalhada quanto a minha.
O livro deve algo (e vice-versa) ao teledocumentário em duas partes Root of all evil?, que apresentei na televisão britânica (Channel Four) em janeiro de 2006. Sou grato a todos os que se envolveram na produção, incluindo Deborah Kidd, Russell Barnes, Tim Cragg, Adam Prescod, Alan Clements e Hamish Mykura. Pela permissão de usar citações do documentário, agradeço à IWC Media e ao Channel Four. Root of all evil? teve índices excelentes de audiência na Grã-Bretanha, e também foi transmitido pela Australian Broadcasting Corporation. Ainda não se sabe se alguma emissora dos Estados Unidos vai ter a ousadia de exibi-lo.
Este livro já vinha se desenvolvendo na minha cabeça fazia alguns anos. Durante esse tempo, foi inevitável que algumas das idéias fossem apresentadas em palestras, como nas minhas Tanner Lectures em Harvard, e em artigos de jornais e revistas. Os leitores de minha coluna regular na Free Inquiry, especialmente, podem achar certos trechos familiares. Sou grato a Tom Flynn, editor dessa revista admirável, pelo estímulo que me deu quando me entregou uma coluna regular. Depois de um intervalo temporário para a conclusão do livro, espero agora retomá-la, e sem dúvida vou usá-la para responder às repercussões do livro.
Por vários motivos sou grato a Dan Dennett, Marc Hauser, Michael Stirrat, Sam Harris, Helen Fisher, Margaret Downey, Ibn Warraq, Hermione Lee, Julia Sweeney, Dan Barker, Josephine Welsh, Ian Baird e especialmente George Scales. Hoje em dia, um livro como este não estará completo enquanto não se tornar o núcleo de um site cheio de vida, um fórum para materiais complementares, reações, discussões, perguntas e respostas - quem sabe o que o futuro pode trazer? Espero que o endereço http://www.richarddawkins.net/, da Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência, supra esse papel, e sou extremamente grato a Josh Timonen pela arte, pelo profissionalismo e pelo trabalho duro que ele empenha no site.
Acima de tudo, agradeço a minha mulher, Lalla Ward, que com paciência me orientou ao longo de todas as minhas hesitações e autoquestionamentos, não apenas com apoio moral e sugestões sagazes de aperfeiçoamento, mas também ao ler o livro inteiro em voz alta para mim, em dois estágios diferentes de seu desenvolvimento, para que eu pudesse captar diretamente como ele soaria para outro leitor que não eu mesmo. Recomendo a técnica a outros autores, mas devo advertir que para melhores resultados o leitor precisa ser um ator profissional, com a voz e o ouvido sensivelmente sintonizados com a música da linguagem.