Google+ Setembro 2009 | A Pirâmide de Kukúlkan

O último reduto onde os Asseclas do CONCLAVE encontram-se...

PIRATAS!!! - Cap. 147

Cada beijo dela com Narval que ele
presenciava era motivo de
uma náusea irrefreável.
Aquilo estava envenenado seu ser!
Sarresian não era homem de
meias-medidas, aquele mal só
teria um fim: alguém teria de morrer.
Matá-la estava longe da mais
remota das possibilidades.
Não. Ele teria de 
dar um fim em Narval.
Mas como?
Mesmo sendo mais forte 
que seu capitão, 
não seria a força física 
a solução daquela 
angustiante situação.
Se Lady Cathéryn o visse como
responsável pela morte do amante,
ela com certeza teria por si um
sentimento totalmente diverso
daquele que Reneger objetivava... 
Teria de pensar com calma e
engendrar seu plano
meticulosamente.
Estava o velho Mèrton perdido em
seus devaneios assassinos contemplando
a lua cheia quando um súbito tranco
faz o navio todo oscilar com violência,
derrubando objetos de prateleiras,
movendo barris,
fazendo rolar balas de canhão e
levando ao chão marinheiros
surpreendidos em seus sonhos
dourados ou lúbricos!
Rapidamente Sarresian dirige-se a
amurada, para ver se houve algum
dano a estrutura do navio.
Seria um recife desconhecido?
Um banco de areia nunca dantes
demarcado nos mapas?
Ou pior, os restos de alguma
embarcação recém-atacada?
No mesmo instante
o Tridente de Poseidôn oscilou
de modo similar.
Mas como, se estava a umas
500 jardas de distância?
O que poderia afetar ao mesmo tempo
dois navios tão distantes um do outro?
Fossem quais fossem as suposições
do pirata francês, nada poderia
prepará-lo para o que viu emergir
da linha d’água.

Imagens piratas... - 146













PIRATAS!!! - Cap. 146

São os pensamentos extremamente
animadores que permeiam a cabeça
do encarcerado marujo,
sentado em sua cela enquanto rói um
pedaço de pão seco e embolorado,
acompanhado de uma sopa de tartaruga
com estranho gosto de mijo...
― E pensar até um dia atrás me fartava
de rum e pernil... Maldito açafrão!!!
Mas tão certo como tem um Deus no Céu
e um Diabo no Inferno,
darei a volta em meus inimigos e
hei de cagar em suas sepulturas!!! HAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!
Agora só tenho que pensar como...
E, macambúzio, dá uma mordida
em seu pão mofado molhadinho no mij...

Nisso...

Navegando com rumo certo e
sem outras vicissitudes, o Lei de Elizabeth
deveria chegar com folga a ilha de Morgan
antes de Sangre, porém
(sempre há um porém...)
o fado dos piratas é fazer do mar
seu campo de batalha e
nuvens negras toldavam
o horizonte de seus destinos!
Após um “acordo de cavalheiros”
entre Narval e Morgan, a bela pirata
retomou o controle de seu navio e
acompanhava a nau britânica ladeando-a.
À noite, Morgan trocava sua cabina
pela do Lei de Elizabeth.
Isso deixava muitos dos marujos
do Tridente de Poseidon um tanto
quanto insatisfeitos, porém ninguém
ousaria dizer nada.
Afinal, a adaga ainda estava lá
no mastro do navio...
Quem de fato estava incomodado
com essa situação, mas guardava para si, 
hermeticamente lacrado em seu peito,
era Sarresian.
Aquela visão do corpo desnudo
de Lady Cathéryn dominara-lhe o coração
e alma de uma maneira inexplicável,
era como se sargaços brotassem
em suas entranhas,
sufocando-lhe os pulmões,
constringindo lhe o coração e
apertando sua garganta por dentro!

Imagens piratas... - 145















PIRATAS!!! - Cap. 145

― Se me matar, jamais encontrará Sangre!
Grita o espanhol com suas últimas forças.
Drake estaca.
Vira o rosto um quarto sobre
o ombro esquerdo:
― O que sabes sobre isso,
seu pirata imundo?
― Sei que rota ele tomou e
qual seu destino final.
― Que me importa o que dizes?
Ele está em curso para a Espanha,
todos sabemos disso.
― Não! Ele está indo
a outro lugar antes!
O ardil começara surtir efeito...
― Que outro lugar?
― Como eu disse capitão,
se me matar, nunca saberá.
Francis Drake aperta o chicote com
tanta força que seus dedos sangram.
― Tirem esse miserável daí e o
ponham a ferros, sob vigilância cerrada.
Aquele que o deixar escapar ocupará
o lugar dele neste mastro! Fui claro?
Berra as ordens enquanto empurra
o chicote de volta ao carrasco
e retorna bufando a sua cabina.
Durante o decorrer da viagem
o Onça foi severamente vigiado
e ficando “muito bem guardado”
em sua cela.
― Tenho que dar um jeito de sair
desta enrascada! Se Sangre sonhar
que entreguei sua rota a Drake,
ele me arranca a pele vivo,
me mata e depois é bem capaz
de me trazer de volta do Inferno
só pra ter o prazer de me matar de novo!!!!
E se eu me matasse primeiro? Não!
De nada adiantaria:
a morte não é garantia
nenhuma contra Sangre!
Depois de vê-lo tomar a foice
do próprio Ceifador e
decepar a cabeça do mesmo com ela,
não duvido de mais nada!

Imagens piratas... - 144










O gato-de-nove-caudas!

PIRATAS!!! - Cap. 144

Quando o capitão percebe onde
o pé descalço, sujo e ensebado
do pirata repousa, aí sim ele explode:
― NO MEU AÇAFRÃO!!!!!!!!!!!!!!!!
NO MEU AÇAFRÃO!!!!!!!!!!!!!!!!
Botem esse rato de esgoto a ferros
agora mesmo!!! E chamem o carrasco!!!
― Devo dizer para ele trazer a forca
ou o chicote?  - indaga o imediato.
― O chicote!!! Mas quem terá o prazer
de lascar esse desgraçado serei eu!!!!
 Moréia e mais dois marujos arrastam
o Onça para fora. A essa altura tão
bebaço que já nem sabia mais
sequer onde estava!
Depois de amarrado ao mastro principal
e ter as roupas rasgadas,
deixando as costas nuas,
ele começa a recobrar um pouquinho
o tino...
― Mas euuuuuuuuu tô paraaaaaaaaado....
Por que o chãããããããão tá
balançandooooooooo...
A voz pastosa, mais grogue impossível!!!
Alguém em volta responde debochando:
― Porque estamos em alto-mar
já tem dois dias seu gambá!!!
― Háááááááá´doooooooooooooisssssssssss diaaaaaaaaaaaaasssssssss????
Nessa hora sua mente tem um estalo
e a memória do Onça volta
em um doloroso vagalhão:
­― Dois dias? Alto-mar? Fiz merd...  
Antes que possa terminar seu
auto-exame de consciência Drake
vai até ele e fulo berra em seu ouvido:
― Ninguém! Está ouvindo?
Ninguém conspurca o MEU AÇAFRÃO
e vive pra contar!!!
Está vendo este gato de nove rabos?
Pois ele só vai parar de miar
quando arrancar lascas deste mastro!
E esfrega a cara do prisioneiro
na madeira do mastaréu!
Drake vira-se e caminha a passos rápidos
de modo a tomar distância
para o açoitamento.
O Onça engole em seco:
nunca se vira em uma situação tão ruim,
precisava pensar rápido
e o maldito rum estava dificultando
as coisas, ele tenta recordar
o que Sangre diria, então uma
ideia traiçoeira brilha em
sua mente alcoolizada.

Imagens piratas... - 143




A perplexidade toma a face do Imediato Moréia!







PIRATAS!!! - Cap. 143

Uma idéia “brilhante” não fosse
por alguns pequenos detalhes:
não sabia quando o navio partiria
e a despensa seria trancada a chave.
Por fora!
Sem mais o que fazer,
tendo todo rum e comida do navio
à disposição, o sono seria inevitável.
De todo modo decidiu levar adiante
seu “genial” plano: ficou mocosado
sob uns sacos e quando terminaram de
estivar as provisões a porta fora lacrada.
Como era de se esperar o Onça decide
passar o tempo até a noite bebendo...
Dois dias depois o cozinheiro de bordo
vem até despensa na intenção de repor
alguns itens quando se depara
com a inusitada cena:
um pirata fedorento deitado
de barriga para cima sobre
os sacos de feijão,
dormindo podre de bêbado
e roncando feito um porco!
Um garrafão de rum pendente
da mão direita e um naco
semi-devorado de presunto
à esquerda.
Entretanto, o que mais perturba
o cozinheiro é ver o pé sujo
e de unhas pretas enfiado
no pote de açafrão!
― Por todos os Demônios do Mar!
O Açafrão do capitão! Isso vai acabar mal...  
Preocupa-se o “comandante das panelas”.
O cozinheiro dá um passo para trás, 
fecha novamente a porta silenciosamente
e sai em busca do imediato e do capitão.
― Sinceramente, espero que tenha
um excelente motivo para nos
arrastar até as profundezas
do navio em um momento
tão crucial de nossa jornada, Banha!
Esbraveja Drake sendo escoltado
pelo imediato Moréia que não consegue
esconder o sorriso. No que o cozinheiro
abre a porta e a cena se descortina
ante os olhos arregalados deles,
o rosto de Drake assume um tom
ruborizado que rapidamente
migra ao vermelho sangue! 

Imagens piratas... - 142













PIRATAS!!! - Cap. 142

Nesse ínterim enquanto Drake
tomava as rédeas da situação
no acampamento pirata espanhol,
Bertolluci acorda com uma
dor de cabeça do tamanho de um galeão!
Ao ver a movimentação e
um burburinho britânico,
decide manter-se escondido.
Após algum tempo observando,
entende o que ocorrera e engenha
um plano mirabolante para salvar
seus companheiros e sair “por cima”.
Estava ele pronto a pôr seu plano
em ação quando vê os marinheiros
do Golden Hind levando a bordo
os mantimentos e o rum!
É um fato assaz impressionante como
os vícios de um homem podem pôr
tudo a perder de modo tão ridículo!
Ao invés de ir à direção do local em
que seus companheiros encontravam-se 
aprisionados, toma o rumo oposto:
o da carga!
E se passando por um dos marujos
ergue um barrote de rum e saia à francesa
com o mesmo quando o imediato
chama-lhe a atenção:
― Ei. Marujo! É para o outro lado,
onde pensa que está indo?
O capitão quer essa carga embarcada 
imediatamente.
Disfarçando como podia deu
meia volta e rumou ao navio.
Largou a carga com as outras
na área de embarque e já ia
“levantar âncoras” quando
Moréia o enxerga novamente:
― Nada de moleza! Trate de
carregar isso a bordo. Agora!
Depois do que recém passara
o imediato, o que ele mais desejava
era poder descontar em alguém!
E quem estava mais a mão para tanto?
E lá vai o pobre Estevãn servir
de burro de carga aos ingleses.
Porém, ao deparar-se com a despensa,
tem outra de suas idéias:
― Ficarei escondido aqui até a noite,
então levarei o rum e
libertarei meus companheiros!

Imagens piratas... - 141



























PIRATAS!!! - Cap. 141

Questiona o imediato Moréia.
O capitão empurra com o
salto de sua bota direita
um pedaço retorcido de metal.
Ao quedar-se na areia amarelada
revela-se como sendo um canhão.
Ou o que restara de um,
pois se encontrava violentamente
dilacerado, porém ainda visível
a marca do armador:
um fabricante espanhol de Cádiz!
Porém, pondera o marujo:
― Mas senhor, Sangre não é o único
pirata a navegar sob a bandeira
espanhola e portar armas com a
chancela de Filipe II...
Antes que terminasse a frase
uma bala de canhão rola do interior
da arma destruída vindo a repousar
na areia aos pés do imediato
que arregala os olhos ao contemplar
a insígnia “G.H.” estampada
na superfície do projétil!
― Madre Santíssima! Essa bala foi
disparada por um de nossos canhões!!!
Isso somente seria possível se...
Moréia cai em si e sai de cabeça baixa.
― Esses garotos...
Ele chama outro marinheiro:
Garrucha; venha cá!
― Sim, senhor.
― Quero tudo o que for
aproveitável embarcado.
― Os prisioneiros também, senhor?
­― E crês que temos ração suficiente
para alimentá-los? Raciocine, homem!
Eles que fiquem aqui mesmo e virem-se!!!
Temos problemas maiores a resolver!
Cada hora que passamos aqui
são milhas a mais que Sangre
interpõe entre nós e ele!
Nossa prioridade é o velame!
Deve haver algum aqui para reposição,
do contrário, pelo Sagrado Império Britânico,
juro que pessoalmente arrancarei
os andrajos que cobrem os corpos
de cada marinheiro nesta ilha e
farei velas de seus trapos!!!!
O que está esperando, homem?
Ao trabalho!
Desnecessário dizer que os ditos panos
a serem usados nos mastros
apareceram do nada...