Google+ Março 2015 | A Pirâmide de Kukúlkan

O último reduto onde os Asseclas do CONCLAVE encontram-se...

PIRATAS!!! - Cap. 289

O jovem corsário 
arregala os olhos diante 
daquela missão medonha, 
mas a acata. 
Correndo feito um louco 
pelo tombadilho 
até o corpo estripado 
de seu antigo superior 
ele o arrasta consigo até Olavídez.
― Excelente! Finalmente 
algo começa a dar certo por aqui! 
Trouxe as tripas também?
Oui, monsieur.
― Me ajude a amarrar 
estes barrotes com elas 
e traga-me aquele sabre ali.
E enquanto falava enlaçava 
os barrotes nas tripas do finado 
como se fossem laços de presente!
― Eis o sabre. O que fará com...
A resposta vem antes 
da conclusão da pergunta: 
golpeando com violência 
atravessa o corpo 
e o empala de contra 
um dos barrotes.
― Está bem firme.  
– confirma após atestar 
com algum esforço.
Ver aquilo foi o que bastou 
para o imediato vomitar 
o que tinha e o que não tinha 
dentro do bucho!
O capitão se indigna:
― Mas será possível 
que este navio só tenha marujo 
de estômago fraco? 
Recomponha-se, imediato! 
Esta é apenas a metade 
de nosso trabalho. 
Mantenha este pobre-diabo 
o mais em pé que puder 
e venha comigo.
Sacando sua espada Olavídez 
corre até o tentáculo mais próximo 
e o golpeia, enfurecendo 
ainda mais a criatura!
Apavorado o marinheiro 
tenta argumentar:
― Mas monsieur falou 
que atacá-lo com espadas 
só o deixaria mais louco ainda!
― Essa é a ideia! 
– responde com um 
sorriso insano nos lábios.
O Lusca se ressente do ataque férreo 
e reage tentando agarrar seu agressor.
― Agora, jogue o corpo! 
– grita com urgência na voz. 
Sem sequer pensar, 
o imediato empurra o defunto 
na direção do tentáculo, 
que o envolve e aos barrotes. 




O contramestre de Salazar
nunca foi muito popular a bordo...


...porém, mesmo assim é difícil
encarar as tripas do sujeito...


...sendo empaladas com um sabre...


...em barris de rum...


...e jogadas aos tentáculos!!!


O pobre defunto (literalmente)
caindo aos pedaços...


...serve de isca na desesperada
armadilha de Olavídez!!!

PIRATAS!!! - Cap. 288

Ofegante, banhado em suor frio, 
os olhos quase saltando das órbitas, 
o coração pronto a sair pela boca 
e pálido feito um cadáver; 
era a imagem de um homem destruído.
― Fale marujo! Diga alguma coisa!
Mas ele nada dizia, em choque 
como que atingido por um raio!
Sem tempo para educação 
ou modos civilizados 
Olavídez o agarra pelos gorgomilos,
 sacode-o e aplica-lhe 
umas boas bofetadas!
― Volte a si homem! 
Fale alguma coisa, o que viu lá?
Mas era irremediável. 
A insanidade tomara sua mente, 
perdida para sempre 
nos abismos do horror e da loucura. 
Apenas balbuciava:
― O demônio... sem face... 
demônio... sem face... demônio...
Até que com um último suspiro 
seu espírito partiu enquanto 
um fio de baba escorria-lhe 
pelo canto da boca. 
Olavídez balança a cabeça 
desconsolado, 
passa a mão sobre os olhos 
de seu ex-imediato e cerra-os. 
Assustado, o capitão reflete 
sobre a situação.
― Isso é mau! Muito mau! 
Se o Lusca está com a cabeça submersa 
não poderemos jogar o rum 
dentro da goela dele. 
Como faremos isso?
Nisso o marinheiro 
que o ajudara antes 
volta correndo 
e com o pavor 
estampado no rosto!.
― Mon Capitaine! Mon Capitaine! 
A criatura está pegando a todos! 
Um por um! Desse jeito não sobrará 
ninguém a bordo! Oh, Mon Dieu! 
– desespera-se o jovem pirata.
― A todos... Hummm... 
Já sei como daremos cabo 
desse monstro! 
Rapaz, eu o promovo a imediato!
― Imediato? Puxa, nem sei 
o que dizer monsieur!
― Não me agradeça, 
olhe como acabou o último 
a ocupar esse cargo. 
– fala apontando o infeliz defunto. 
O novo imediato sente 
o estômago se retorcer...
― Sua primeira tarefa é trazer 
até aqui o corpo do contramestre. 
E rápido! E não se esqueça 
das tripas dele!


Pelo andar da situação El Bravio
será renomeado para Nau dos Insensatos...


...o que faz todo sentido se ver
como acabou o último imediato...


...que cometeu a sandice de contemplar o Lusca!


Olavídez não perde tempo e rapidamente
alça outro coitado, digo,
marujo ao posto de Imediato!


Enquanto isso os tentáculos
"fazem a festa" à bordo!!!



PIRATAS!!! - Cap. 287

― É pouco, mas acho que resolve.
― O que faremos com isso?
― Vamos “servir” a ele, evidente.
A face confusa do imediato 
deixa claro que ele não estava 
entendendo nada...
― Vá até a amurada de estibordo 
e veja se consegue ver a cabeça dele!
― Como senhor?
― Quero saber se a boca dele 
está acima da linha d'água 
ou não, sua besta!
― Ma-ma-mas se-senhor, 
essa coisa vai me comer!
Gagueja o amedrontado marinheiro.
― Vai nada! Corra até lá que 
eu garanto a tua segurança!
Sem muito que argumentar 
o azarado bucaneiro esgueira-se 
até o parapeito do navio 
e olha para baixo.
E o que ele vê irá assombrá-lo 
até o fim de seus dias: 
sob a chuva torrencial 
e ventos cortantes, 
uma massa disforme 
da qual partiam imensos 
apêndices pegajosos e acetabulíferos! 
De cor entre o rosado 
e um esbranquiçado, 
quase prateado, 
emanava um cheiro pútrido, 
de morte e decomposição!  
Não havia um rosto 
ou qualquer outro aspecto 
que fosse vagamente 
de uma criatura engendrada por Deus! 
Aquele ser profano 
só poderia ter sido vomitado 
pelas entranhas dos abismos de Satã! 
O velho lobo-do-mar sente 
as pernas fraquejarem, 
a visão turvar 
e toda a ração ingerida 
nos últimos dois dias 
voltar a sua garganta... 
Bolçando tudo amurada abaixo! 
A fraqueza o consome, 
uma tontura como se mil furacões 
estivessem sob seus pés. 
Sabe que se permanecer mais tempo 
diante daquele ser abissal 
sua alma imortal irá 
abandonar lhe o corpo 
em busca de refúgio 
nos Campos Elíseos!
Como um verme, o pobre infeliz 
rasteja de volta à segurança (?!).


Desde que foi lançado ao mar,
El Bravio de Los Mares jamais
enfrentou um perigo como este...


...cercado por águas tempestuosas,
trombas d'água e ondas gigantes...


...agora recebe a "visita" do monstruoso Lusca!!!!


Para sorte de todos, o imediato cumpriu sua missão
e resgatou os barris da cabina do capitão...


...e em retribuição, Olavídez
lhe concede outra missão atroz:
espionar de perto a criatura!

PIRATAS!!! - Cap. 286

O imediato engole em seco 
ao ver que entre ele seu objetivo 
havia umas vinte jardas 
repletas de tentáculos 
a se retorcerem...
― Agora, senhor?
― Agora não... Já!
Tomando coragem o marujo 
corre em ziguezague pelo convés 
até a escotilha de acesso. 
Prestes a entrar na cabina 
um enorme, viscoso e úmido tentáculo 
coloca-se em seu caminho. 
Ao ver diante de si aquelas ventosas 
abrirem e fechar ritmadamente, 
os intestinos do imediato 
entregam os pontos! 
Então um disparo se faz ouvir. 
Atingido, o membro da criatura 
se retrai, 
o que dá ensejo ao imediato 
que adentra a cabina 
e fecha a porta atrás de si.

Enquanto isso o novo capitão 
do El Bravio de Los Mares 
chama para junto de si 
um dos marinheiros:
― Vá até o depósito das armas 
e traga tantas pistolas carregadas 
quantas conseguir! Rápido, homem!
Pouco depois o marujo volta 
com os braços cheios de armas.
― Ótimo. Isso deve bastar 
por enquanto. Diga aos outros 
que atirem nos tentáculos, 
mas não os golpeiem com as espadas. 
O chumbo fere o Lusca, 
mas o ferro apenas o irrita, 
deixando-o mais agressivo ainda! 
Agora vá!
Nesse meio tempo, 
vasculhando o local, 
o imediato encontra dois barrotes, 
experimenta seu conteúdo 
e por breve instante 
todos os seus problemas 
pareceram se diluir.
― É da boa! Pena ter que desperdiçar 
com aquele monstro 
este líquido tão precioso...
Quase chorando de tristeza, 
ele agarra os barrotes, 
um sob cada braço 
e irrompe porta a fora.
Olavídez lhe assegura 
fogo de cobertura, 
disparando uma pistola 
atrás da outra.
― Está aqui, senhor. 
Foi tudo o que encontrei.


O imediato se apavora diante do tem pela frente...


...mas consegue chegar até a porta da cabine do capitão...


...porém, é surpreendido por um medonho tentáculo!


Felizmente Olavídez salva sua pele
e ele adentra a cabina...


...onde vasculha o local!


Nesse meio tempo Olavídez se reforça
com uma pilha de pistolas carregadas...


...das quais faz um bom uso para salvaguardar
o imediato que traz os barris.

PIRATAS!!! - Cap. 285

Olavídez lança mão 
da pistola que tirara de El Vil 
e seu tiro é certeiro!
O membro pegajoso 
do cefalópode recua.
― É o Kraken! Estamos mortos!
Choraminga um dos acuados flibusteiros.
Ao que Olavídez responde irritado:
― Nem pensar! Aqueles monstros 
despedaçam navios! 
Essa coisa não é um deles!
― Então que demônio das profundezas 
é essa coisa?
― É o Lusca! Um molusco dos infernos 
com um apetite insaciável por marujos! 
Temos que convencê-lo 
de que somos indigestos 
e ele nos deixará em paz!
No mesmo instante, 
vários tentáculos surgem 
tentando agarrar outros marinheiros! 
O pânico toma conta do convés! 
Olavídez esconde-se 
atrás de um barril e próximo a ele 
seu imediato fedendo a urina 
ora por perdão divino...
― Acalme-se homem! 
Diga-me: vocês têm 
algum rum a bordo?
Espantado com a pergunta 
o mijado marujo gagueja:
― Com todo o respeito, capitão, 
mas neste momento 
nós preferiríamos vê-lo sóbrio...
― Não é para mim, 
seu cérebro de ostra! 
É para o Lusca! 
Miopsídeos abominam grog, 
rum, aguardente, essas coisas!
― Quer embebedar a criatura? 
Lamento, mas não creio 
que tenhamos o bastante para isso, 
até porque Salazar 
proibia o rum a bordo.
― Miserável! Será que 
nem depois de morto...
Olavídez não completa a frase: 
um tentáculo agarra o barril 
atrás do qual se ocultava 
e o esmigalha em pleno ar! 
Felizmente, o espanhol 
consegue afastar-se no último instante, 
escapando das garras da morte 
por muito pouco! 
Corre até onde está 
o imediato e o insiste:
― Mas nem os oficialato de bordo 
entornava um? Não acredito nisso!
― Bom, na cabina dos oficiais 
havia bebida...
― Então vá até lá e traga 
o que tiver de mais forte!


A pistola de Salazar enfim serve à algum bem...


...ao enxotar um dos tentáculos... 


...da criatura abissal conhecida como LUSCA!


Porém, uma mera pistola
não afastará esta ameaça...


...que chega a estraçalhar o barril
atrás do qual Olavídez procurou refúgio!


Então, uma lembrança
ilumina a mente do capitão:
o rum!!!



PIRATAS!!! - Cap. 284

― Imediato, trate de dar um jeito 
nesta vela de mezena! 
Se for comandar esta banheira, 
que ao menos possa 
me mexer por aqui!
― Sim senhor!
― Contramestre: quero saber 
o que nos atingiu 
e que avarias sofremos. E já!
― Imediatamente capitão!
Olavídez não consegue esconder 
um sorriso ao ouvir aquilo:
― “Capitão”! Hummmm... Gostei. 
Comandante Olavídez também 
soa muito bem...
Enquanto os recém-empossados 
subalternos acatam suas ordens, 
o espanhol cata a luneta 
suja de sangue caída 
próxima ao defunto 
e limpa-a na roupa.
― Ei, vocês dois! 
Joguem este presunto 
aos peixes!
Sem muitas delongas 
os dois intimados marujos 
lançam o corpo de Salazar ao mar, 
alegrando os tubarões.
Olavídez acerta o foco 
e perscrutando o horizonte escuro, 
toldado pela chuva que não cessa 
tenta em vão descobrir 
o que o coronel observava 
tão insistentemente. 
Subitamente uma imensa e fugidia 
sombra perpassa a barlavento.
Procurou de novo e nada.
Aquilo o deixou incomodado.
― Tomara que tenha sido 
apenas uma ilusão. 
Estou com um mau pressentimento...
Nesse momento o contramestre 
retorna com seu relatório.
― Capitão; não fazemos ideia 
do que nos atingiu, 
mas o que quer que fosse 
não provocou 
nenhuma grave avaria.
― Ao menos uma boa notícia.
O contramestre não chega a ouvir 
a constatação de seu superior, 
pois repentinamente 
ele é erguido no ar 
por um tentáculo 
e aos gritos levado 
por sobre a amurada de estibordo. 
Os ventos do furacão terminam 
por abafar seus bramidos 
de dor e pavor.


El Bravio de Los Mares tem um novo capitão!


Salazar legou sua nau a Olavídez...


...que não se fez de rogado em entregar
aos peixes seus restos mortais!




Agora, restava a pergunta:
o que tanto ele observava
em meio à tempestade?


Subito, o espanhol vê
uma estranha mancha no mar...


...prenúncio de novos
e graves problemas...