PIRATAS!!! - Cap. 85
— Uma confusão no píer: os marinheiros
de Lancaster quebraram o pau com
os da nau de Murat!
— Mas por que cargas d’água esses
cabeças-de-sardinha querem se matar?
— Pelo pouco que entendi; algo haver
com um barril de rum roubado...
— Oh, my God! Que escumalha!
— Mas apesar desse contratempo estaremos
prontos para partir com a maré, capitão!
A face de Drake apazígua-se, ele dá de ombros
e dirigindo-se a sua cabina diz:
— Estarei conferindo nossa rota nos mapas,
se outro incidente do tipo acontecer,
quero ser informado imediatamente.
— Sim, capitão.
Porém, a sorte sorria para o velho pirata inglês:
o navio estava desatracando um quarto de hora
antes da maré, abastecido e bem municiado,
acompanhado pelas naus de seus cúmplices:
O Goose Fiáin (Ganso Selvagem), de Grace O'Malleyy.
O Trail-Blazer (Desbravador), de Sir James Lancaster.
O Zot e Vdekjes (Deus da Morte), de Murat Rais.
E o Berserker (Fúria Incontrolável),
de Ivan Dirkie De Veenboer.
de Ivan Dirkie De Veenboer.
O pirata inglês contava com um escolta
de mais quatro galeões, que deixara
ancorados em uma ilha próxima ao continente
com instruções para virem a seu encontro
em quatro dias.
Não seria prudente chegar
a Ciudad Del Carmen acompanhado de
quatro vasos de guerra ingleses...
O velho corsário da Rainha não tinha
como prever exatamente onde iria defrontar-se
com Sangre, porém, conhecia as rotas,
ventos e correntes daquela região como poucos,
de modo que tinha uma ideia da região
mais provável.
PIRATAS!!! - Cap. 84
Sua satisfação íntima ao perceber
que a fineza de seu plano não tinha igual,
traz-lhe ao rosto, habitualmente severo,
um sorriso de satisfação.
— O que o deixa tão feliz, meu conquistador?
Indaga-lhe a irlandesa nua em seu leito,
passando os dedos suavemente sobre os lábios.
— O prenúncio da batalha, minha linda fada verde!
— Fada verde, é? Não serei por acaso a sua... banshee?
Palavras gotejando sensualidade,
um convite de retorno aos prazeres carnais...
— Sim, com certeza! Se ficar mais
um minuto neste leito, conseguirás o que
nem toda a Armada Espanhola
com todos os seus canhões, oficiais e armas
jamais conseguiu: arrancar de mim meu último suspiro!
Mulher, tu não és uma pirata, és uma súcubo!!!
— HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, HÁ!!!!!!
A risada cristalina da bela corsária
toma a cabina de modo irrefreável!
— Ora, ora, ora... Quem diria, o viril e
galante Capitão Francis Drake
correndo do abraço de uma mulher...
Ela se ergue-se nua como Eva.
Lentamente dá um passo em direção
ao pirata e passando os dedos entre
os pelos de sua barba cuidadosamente aparada,
aproxima os lábios de seu ouvido esquerdo
e sussurra eroticamente:
— Venha cá, meu conquistador e
faça de meu corpo a bainha de tua espada...
Drake pode ter muitas qualidades e defeitos,
mas de ferro ele não é...
Três horas mais tarde ele está de volta
a ponte de comando do Golden Hind.
— Como estão as coisas, Moreia?
— Um tanto atrasadas capitão.
— O que houve?
PIRATAS!!! - Cap. 83
O ouro costuma cegar os tolos e os gananciosos.
Infelizmente tem o mesmo efeito sobre os piratas...
—Diga que lucrativa missão seria esta,
companheiro?
Fala amigavelmente Lancaster enquanto
passa o braço sobre o ombro de Drake,
que apesar de incomodado com o gesto,
não obstante é condescendente com o mesmo.
Enquanto o pequeno grupo dirige-se a
taverna local, para umidificar a conversa
com um bom rum, a tripulação do Golden Hind,
capitaneada pelo imediato Moreia
segue em suas atribuições de desembarque.
Tarefas que exercem com gosto,
pois sabem que após sua execução,
terão pelo menos dois dias
de diversão em terra firme.
Francis Drake é um pirata ardiloso,
sabe bem que seus “companheiros”
de profissão não são páreo para Sangre,
razão pela qual omite seu nome e o de seu navio.
Fala apenas dos navios da escolta...
De todo modo, ele bem sabe que a verdade
virá à tona quando os canhões trovejarem
e Sangre erguer sua bandeira tão característica...
Mas até lá seu objetivo já terá sido atingido.
São necessários dois dias para que
o plano de Drake se inicie.
Dois dias barganhando, conversando,
convencendo, seduzindo e insinuando.
A vida de um pirata nem sempre se resume
ao uso de sua espada...
Drake bem sabe disso e faz uso
de sua arma mais afiada: a lábia.
Ao amanhecer do segundo dia,
ainda se vestindo ao lado da cama onde
O'Malleyy espreguiça-se languidamente,
Francis repassa mentalmente cada etapa
de seu ardil na busca de alguma
eventual falha de raciocínio.
Imagens piratas... - 082
PIRATAS!!! - Cap. 82
Os
tiros cessam. Ambos os navios
adversários
enviam escaleres até o
precioso
presente flutuante.
Há uma
evidente discussão por parte
dos
tripulantes dos botes,
alguém saca
uma garrucha,
alguém
cai na água,
alguém
alimenta os tubarões...
O de
sempre...
As
pequenas caravelas abrem espaço
e
escoltam o Golden Hind ao porto.
A
tripulação inglesa respira aliviada,
mais
uma vez seu capitão mostrou
porque é conhecido
como
o maior
pirata da Inglaterra...
Em
terra firme a recepção
é
totalmente diversa
da que
houve em alto mar:
um
círculo de velhos confrades
de
pirataria o aguardava:
Grace
O'Malleyy, irlandesa.
Sir
James Lancaster, nascido nas
Colônias
da Nova Inglaterra.
Murat
Rais, albanês.
De
Veenboer, holandês.
Todos
conhecidos, comparsas, piratas...
—O que
o traz a nosso humilde reduto,
seu
velho lobo do mar?
Cumprimenta-o
efusivamente Lancaster.
—Procura
refúgio?
Indaga
Veenboer.
—Diversão,
talvez...
Sorri
sensualmente Grace.
— Ou
veio apenas para esticar as pernas
antes
de partir rumo a um novo saque?
Arrisca
Murat.
—
Amigos, todos vocês estão enganados!
Venho
aqui propor-lhes um negócio
altamente
lucrativo!
— Disse
o lobo ao cordeiro...
Murmura
Veenboer.
—
Quando foi que fiz a vós alguma
esparrela, dizei!
Sabeis
muito bem que meus negócios
são com os
espanhóis...
Eventualmente com os portugueses
ou franceses, contudo são meras picuinhas!
O
pequeno presente que vos ofertei
por
ocasião de minha chegada,
é uma
pequenina amostra do que
vos aguarda
se dispuserem a me seguir
em uma
vantajosa missão!
PIRATAS!!! - Cap. 81
O capitão Francis Drake sabia que muito bem
o osso duro de roer que tinha pela frente,
razão pela qual passou um longo tempo da
viagem rumo às Caraíbas matutando uma
estratégia que pudesse tornar sua empreitada
mais fácil e exequível.
Confrontar Sangre diretamente não era uma
atitude assaz inteligente, até porque
experiências pregressas o desaconselhavam
a tomar tal caminho.
Não!
Para atingir Sangre ele deveria valer-se
de algum subterfúgio, algo inesperado, ousado...
Foi então que uma ideia iluminou sua mente,
ele corre aos mapas, faz alguns cálculos e
então berra a seu imediato:
— Moreia!!! - ao que no instante seguinte
irrompe porta da cabina adentro o ofegante marujo.
— Eis-me aqui, Capitão!
— Leve este mapa ao timoneiro e diga-lhe
para mudar nosso curso. Temos um novo destino.
— E qual seria ele, Sir?
— Ciudad Del Carmen.
— Aquele reduto de piratas espanhóis???
— Precisamente, Moreia, precisamente.
Moreia não entende nada, todavia,
gira sobre os calcanhares e executa a ordem.
Semanas depois, o navio aproxima-se
da costa do Campeche.
No mais alto mastro do Golden Hind
tremula a Jolly Roger.
Um comitê de recepção aguarda o navio antes
mesmo que este aproxime-se para atracar.
Duas pequena e velozes naus bem armadas o
"saúdam" com tiros de canhão.
Drake sabe que se revidar não terá chances,
então tenta uma manobra diversa:
manda descer um escaler. Nele um pequeno
baú lotado de dobrões e pedras preciosas,
acompanhado de alguns barris de rum!
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